Escândalo dos cartões chega ao Planalto e governo inicia operação-abafa

Revelação de gastos com cartões corporativos já derrubou um ministro, ameaça outros e, agora, sobe a rampa do Palácio do PlanaltoLevantamentos indicam que a Presidência da República gastou com os cartões cerca de R$ 3,6 milhões no ano passado. São gastos de Lula e da primeira-dama em viagens e compras. No entanto, não há quaisquer detalhes sobre despesas classificadas como “sigilosas”. Porém começam a surgir indícios de superfaturamento nas viagens presidenciais.

Superfaturamento
Numa viagem que fez em 2003 a municípios do interior paulista, despesas com a comitiva presidencial foram pagas com o cartão de crédito. Somente num hotel no município de Sertãozinho (SP) foram gastos R$ 23,8 mil. No entanto, uma investigação do Ministério Público realizada em 2006 mostrou que as diárias cobradas três anos depois eram bem mais baixas. A mesma comitiva custaria pouco mais de R$ 10 mil, ou seja, menos de R$ 13 mil do que foi desembolsado.

“Segurança nacional”
Para conter a crise, o governo tem realizado uma série de manobras. A primeira delas foi a demissão de Matilde Ribeiro, ministra da Igualdade Racial. O afastamento não resolveu o problema, e o governo foi obrigado a anunciar que vai retirar os cartões corporativos dos ministros.

Contudo, o cartão será ainda utilizado pela Presidência da República, mas com uma pequena diferença: a origem dos gastos não será mais revelada. Segundo o general Jorge Felix, do Gabinete de Segurança Institucional, que fez um pronunciamento junto com a ministra Dilma Rousseff no último dia 6, trata-se de uma questão de segurança nacional. “Quanto menos transparência, mais segurança”, disse Felix. Entre os itens relacionados à “segurança nacional” estão até mesmo informações sobre gastos da alimentação do presidente. Entre eles, seus famosos churrascos dos fins-de-semana da Granja do Torto.

Loja de vinho, delicatessen, boutique de carnes e supermercados de alto padrão estão entre os estabelecimentos comerciais em que foi usado, com freqüência, o cartão corporativo de um funcionário da Presidência da República em 2007. As despesas foram feitas por José Henrique Souza, assessor especial do gabinete de Lula. As despesas totalizam R$ 115 mil. Agora, entretanto, as despesas com churrasco do presidente viraram segredo de Estado.

CPI
Com a avalanche de denúncias, a oposição de direita tentou bancar uma CPI no Congresso para investigar os gastos com os cartões corporativos. Dessa forma, pretendiam ampliar o desgaste do governo, de olho nas eleições de outubro.

Mas o governo se antecipou à oposição e realizou uma manobra protocolando, no último dia 6, um pedido de CPI que também investigasse a utilização dos cartões durante o governo de FHC. Mas uma vez, o governo Lula tenta esconder sua sujeira, utilizando como moeda de troca toda a lama de corrupção promovida pelo governo do PSDB.

Mais um escândalo
A enxurrada de denúncias sobre os gastos com cartões corporativos não pára de atingir os figurões da Esplanada dos Ministérios. Ministros usaram o cartão para bancar contas em luxuosos restaurantes, bares, hotéis, despesas em feriados e até mesmo a compra de tapiocas e na reforma de uma mesa de sinuca no Ministério da Comunicação, cujo conserto custou R$ 1.400.

Embora possua proporções menores do que outros escândalos de corrupção do passado, como o caso do “mensalão” – o “valerioduto” movimentou R$ 2,6 bilhões entre os anos de 1997 e 2005 -, o fantasma dos escândalos de corrupção começa a assustar o Planalto e, também, a oposição de direita.

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