Em todo o país protestos contra o aumento da passagem

Juventude está à frente das mobilizações, enfrentando a repressão policialNo começo do ano de 2011 capitais importantes como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Aracaju e Recife, sofreram com reajustes nas passagens de ônibus, muitas vezes mais altos que a inflação. A política das prefeituras de todo país é a mesma: querem retribuir o favor das empresas de transporte que financiaram suas campanhas.

Aumentos abusivos e injustificados
Assim, quem paga é o povo. Em São Paulo, a tarifa foi reajustada em 11,11%, chegando a R$3, a passagem mais cara do país. Salvador tem a maior tarifa do Nordeste. A partir do reajuste desse ano, de 8,6%, a tarifa soteropolitana sobe de R$ 2,30 a R$ 2,50. Em Recife, o reajuste foi de 8,66%. E em Aracaju a tarifa sobe de R$ 2,10 para R$ 2,45.

Além disso, os cofres públicos também são onerados. A prefeitura de São Paulo reajustou o valor do subsídio anual para a SPTrans em 190% (passou de R$ 600 milhões para R$ 743 milhões).

É um escândalo a comparação desses números com o aumento do salário mínimo. Em São Paulo, o trabalhador que recebe um salário mínimo e pega duas conduções por dia, compromete um pouco mais de um terço de sua renda com o transporte. Na prática, o parco aumento no salário mínimo (1 real por dia) é quase todo consumido nesses aumentos de tarifa. Enquanto isso, bem longe da realidade daqueles que utilizam o transporte público, deputados aprovaram o aumento de seu próprio salário, com um reajuste de mais de 60%.

Atos contra o aumento das passagens tomam as capitais
Mas a conhecida manobra de aumentar as tarifas de transporte durante as férias escolares para evitar mobilizações dos estudantes não deu certo. Nas mobilizações, milhares de jovens e trabalhadores de todo país têm demonstrado que não aceitarão calados o aumento. Nas faixas e palavras de ordem do ato estavam expressas a indignação da população: “Chega de aumento para deputado, e para o povo só ônibus lotado!”.

Em São Paulo, aconteceram as maiores manifestações. O último ato, realizado no dia 20, reuniu mais de 4000 pessoas e parou a Avenida Paulista. O ato anterior, no dia 13, reuniu mais de mil e foi duramente reprimido pela polícia. Um novo ato está convocado para o dia 27 de janeiro. Assim como na capital paulista, em Salvador, Recife e Aracaju também se realizaram manifestações. Em Belo Horizonte, a Anel (Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre) está se articulando com outras entidades para preparar um ato contra o aumento da passagem.

A Anel marcou presença em cada uma dessas mobilizações, engrossando o caldo da luta contra o aumento da tarifa e debatendo a necessidade da luta pelo passe-livre para estudantes e desempregados: “Barrar o aumento é só o começo. Não podemos parar por aí. Temos que começar a questionar coisas mais amplas como a necessidade do Passe-Livre para estudantes e desempregados para garantir o nosso direito à educação, lazer e à cultura.” disse Aline Klein, estudante da USP e executiva estadual da Anel.

Controlado por verdadeiras máfias
O sistema público de transporte está hoje completamente entregue a grandes grupos privados. A SPTrans, empresa que gerencia o transporte em São Paulo, é o maior deles. Criada em 1994, a partir do fim da CMTC (empresa pública que cumpria essa função) a SPTrans é o resultado da privatização do sistema público de transporte.
E isso tem conseqüências. Há 17 anos, a tarifa do ônibus em São Paulo era de apenas R$0,50. Em 2011, chegamos ao patamar dos R$ 3. Isso representa um reajuste de 500% ante uma inflação no período de 231%.

A prefeitura fecha os olhos a isso. Não poderia ser diferente. Afinal, os irmãos do prefeito Kassab são consultores das empresas que operam o transporte público na capital. Sendo assim, fazem parte das equipes que sugerem os valores a serem reajustados. Depois, seu irmão, o prefeito, autoriza o reajuste.

São essas relações espúrias entre as prefeituras e empresas que explicam porque o transporte público é realizado por empresas privadas cujo critério é o lucro e não a prestação de um serviço de qualidade para as pessoas.

Revogar o aumento e lutar pelo Passe Livre
Nossa mobilização não pode somente exigir a revogação do reajuste. É preciso exigir que a presidente Dilma sancione uma lei que institua o Passe-Livre Nacional para estudantes e desempregados, como já existe em algumas cidades. Com ele, um passo importante seria dado na garantia do direito da juventude à educação, lazer e à cultura. Segundo estudos do próprio governo, o transporte até a escola é uma das principais causas da evasão escolar. Também seria garantido para os desempregados condições para a procura de emprego. Porém, o Passe-Livre não poderia sair do bolso dos trabalhadores. Portanto, ele não deve servir de justificativa para reajustar a tarifa e nem os subsídios públicos para as empresas. É dos altíssimos lucros das empresas de transporte que deve sair esse dinheiro. Afinal, estamos discutindo direitos dos trabalhadores e jovens.

A reestatização de todo o sistema de transporte público também é uma bandeira fundamental. A lógica do lucro está em contradição com a prestação de um serviço de qualidade. Para as empresas, quanto mais lotado o ônibus melhor, porque é mais rentável. Outro exemplo são os horários de funcionamento, já que em muitas capitais os ônibus param de passar muito cedo, limitando o acesso ao lazer da juventude pobre e dos trabalhadores.

O transporte público deve estar a serviço da população e não regido sob a lógica do lucro de um punhado de empresas que mantém relações promíscuas com as prefeituras.
Post author Bruno Machion, da Secretaria Nacional de Juventude
Publication Date

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Rolar para cima
WordPress Appliance - Powered by TurnKey Linux - Hosted & Maintained by PopSolutions Digtial Coop