Em São Paulo, bancários querem mudanças

Diretoria do sindicato traiu a greve, deixou aumentar as demissões e exploração enquanto banqueirosNa mesma semana em que o IBGE divulgou a desaceleração da economia e a redução do nível de consumo das famílias, foi anunciado também mais um aumento dos lucros bancários, da ordem de 52%. Entre janeiro e março, os banqueiros lucraram nada menos que R$ 6,3 bilhões, em grande parte devido aos altíssimos juros impostos pelo governo, além das taxas absurdas praticadas contra a população.

O aumento da exploração contra os bancários é um dos fatores para o vertiginoso crescimento dos lucros. Essa exploração só pôde aumentar tanto devido à ação da diretoria do sindicato da categoria, majoritariamente composta pela corrente Articulação, do PT.

Direção traidora
A greve bancária de 2004 é a melhor prova do papel que a atual direção do sindicato cumpre. Depois de articular um acordo rebaixado com banqueiros e o governo, os atuais pelegos foram severamente derrotados pela base, que protagonizou uma forte greve.

Com um sindicato imobilista, as condições de trabalho vêm se deteriorando nos últimos anos. Só em 2004, foram demitidos 36 mil trabalhadores, o que acarretou um brutal aumento da carga de trabalho aos que restam, e as doenças relacionadas às más condições de serviço, como LER e DORT, aumentaram 75%.

truculência
O Movimento Nacional de Oposição Bancária, que teve papel fundamental na greve, desta vez aparece como alternativa de luta à direção do sindicato. A Convenção de chapa, no dia 11 de maio, deu o pontapé inicial para a campanha, baseada na denúncia contra as reformas neoliberais de Lula e na proposta de retomar o sindicato para os bancários, expulsando a direção chapa-branca. Além disso, a campanha também coloca a necessidade da ruptura com a CUT e a construção de uma alternativa de luta para os trabalhadores.

Os mesmo ativistas que garantiram a greve nos piquetes enfrentando a polícia, agora enfrentam a truculência da direção do sindicato, que coloca todo seu aparato para combater a oposição. Chegaram a pressionar pessoalmente bancários candidatos da chapa de oposição a retirarem seus nomes. Prometeram a um dos bancários da chapa de oposição até mesmo resolver problemas de empréstimo que o colega tem na Previ, o fundo de previdência do Banco do Brasil.

Além de lançar mão de toda espécie de pressão e assédio moral, a chapa da Articulação ainda utiliza toda a estrutura da entidade. Os caminhões de som e a presença maciça dos diretores da situação, que tanta falta fizeram durante a greve, agora dão o ar de sua graça nas agências. Enquanto os ativistas da oposição cotizam penosamente os custos dos materiais de campanha, a chapa 1 utiliza a própria Folha Bancária, o jornal do sindicato, para a campanha.

Apesar dessa disparidade, a oposição faz uma intensa campanha na base. A própria formação da chapa é uma tremenda vitória, pois, depois de mais de dez anos, garantiu uma alternativa. Uma pesquisa de intenção de votos, realizada de 16 a 20 de maio, dá empate técnico entre as chapas, apesar da larga vantagem de recursos da Articulação. Isso atesta a existência de um grande espaço para o crescimento da Oposição Bancária.

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