Em frente à Bovespa, trabalhadores avisam que não vão pagar pela crise

Ativistas em frente à Bovespa
Agência Cromafoto

O ato foi dirigido contra os grandes empresários, banqueiros, especuladores, ao imperialismo e ao governo LulaVEJA O VÍDEO SOBRE O ATO NA BOVESPA

Aproximadamente 300 pessoas se reuniram em frente à Bolsa de Valores de São Paulo para deixar claro aos banqueiros e ao governo que os trabalhadores não vão pagar pela atual crise mundial. A manifestação foi parte da Jornada Latino-Americana de Luta Antiimperialista, convocada pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e pelo Encontro Latino-Americano e Caribenho de Trabalhadores (Elac).

Em frente ao coração do sistema financeiro brasileiro, estavam presentes a Conlutas, a Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes (Conlute), o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e o PSTU. Também fizeram parte da manifestação a Oposição Alternativa da Apeoesp, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, bancários em greve, entre outros.

Faixas estendidas em frente ao prédio da Bovespa exigiam que os ricos paguem pela crise, a estatização do sistema financeiro sem indenização e sob controle dos trabalhadores e a retirada das tropas brasileiras do Haiti. Geraldinho, da Oposição Alternativa da Apeoesp, coordenou o ato. Ele lembrou que estavam em frente a um dos símbolos “desse cassino” que levou à crise.

“Esta manifestação é para mostrar a nossa indignação perante esta situação”, disse Geraldinho, “Lula dedicou um pacote de 160 bilhões de reais para salvar os banqueiros. Queremos saber do governo Lula quantos bilhões ele vai gastar para salvar os trabalhadores”.

Wilson Ribeiro, funcionário da Caixa Econômica Federal, representando os bancários que estão em greve nacional, lembrou que até agora não houve negociação com a categoria. “Queremos dizer, em primeiro lugar, que os banqueiros ganharam muito dinheiro neste país”, afirmou. E completou: “Nesse momento, nós estamos cobrando aquilo que a categoria bancária produziu. Nesse momento, estamos dizendo que eles é que tem de pagar pela crise”. Como uma das medidas contra a crise, o PSTU defende a estatização dos bancos, impedindo a especulação e colocando-os a serviço da maioria da população.

As exigências ao governo Lula para que não destine dinheiro aos banqueiros foi consenso entre os que discursaram no ato. O professor Alexandre, da Oposição Alternativa da Apeoesp, alertou sobre o fato de que “antes do governo Lula ser eleito, ele já assinou uma carta dizendo que não ia mexer nos lucros das grandes empresas”.

A estudante Aline Klein falou em nome da Conlute: “A gente não vai aceitar que depositem a conta da crise nos nossos bancos, nas nossas contas, nas contas de nossos pais. Eles têm dinheiro para comprar bancos em crise, mas não têm para saúde e educação, e isso a gente não vai permitir”.

Unir trabalhadores e oprimidos para construir o socialismo
Do sindicato dos Metalúrgicos de são José dos Campos, Donizete de Almeida trouxe a capital paulista a experiência da General Motors na sua cidade. Informou que a crise já atinge os trabalhadores da fábrica, que por conta da diminuição da produção terão férias coletivas a partir do próximo dia 20. Ele contou que teve um ato, também como parte da Jornada, em frente à GM na última quinta-feira.

Para ele, é necessário que “unir a classe trabalhadora da América Latina para, de forma organizada, resistir à crise” e “unir a classe trabalhadora, o povo pobre e oprimido e a juventude para construir um projeto que se contraponha a este capitalismo perverso”. Como muitos outros também defenderam, ele disse que “o socialismo não morreu, ele está vivo e é preciso construir uma sociedade diferente”.

Eliana Nunes, do Movimento de Mulheres em Luta da Conlutas, classificou a Jornada como “um marco da reorganização do movimento frente a uma crise econômica mundial”. Ela ressaltou que “a crise atinge primeiro os setores mais oprimidos, os negros e as mulheres, porque Lula vai querer equiparar a idade para a aposentadoria” e que este setor vai ser o primeiro a ser demitido.

Por fim, Luís Carlos Partes, o Mancha, falou em nome da Conlutas. Em sua fala, destacou a importância da solidariedade internacional entre os trabalhadores. exigindo a retirada das tropas de Bush do Iraque e de Lula do Haiti, opinou que “Lula organiza o saque contra as riquezas do povo haitiano”. Ele também lembrou a luta do povo boliviano contra a ultradireita e disse que “Evo Morales deve garantir o direito dos trabalhadores de resistir”.

“Esta jornada vai ser um marco porque se combina com uma crise mundial e nós estamos dizendo que os trabalhadores não vão pagar, que não aceitamos nenhuma demissão, queremos estabilidade no emprego. As empresas que demitirem devem ser estatizadas”, defendeu. Ele finalizou dizendo que “os trabalhadores têm de governar não só este país, mas a América Latina e o mundo”.

Após as falações, cantando palavras-de-ordem, os manifestantes saíram em caminhada pelo centro velho de São Paulo. “Nem desemprego, nem recessão / a conta desta crise vai para o bolso do patrão” foi uma das mais cantadas. O ato encerrou em frente à agência central da Nossa Caixa, onde os bancários também fazem greve e lutam contra a privatização do banco.

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