Em Fortaleza, homens e mulheres vão às ruas pelo combate ao machismo

A alarmante realidade da violência que atinge as mulheres, principalmente as trabalhadoras, levou diversas entidades do movimento estudantil, social, popular e sindical de Fortaleza a se unirem em um ato para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Sob o tema “Na luta por autonomia e igualdade contra a exploração e a violência machista, racista e lesbofóbica”, um 8 de março combativo tomou as ruas da cidade.

Da Praça da Igreja do Carmo à Praça do Ferreira, centenas de homens e mulheres conduziram faixas, empunharam bandeiras e fortaleceram o coro das palavras de ordem contra as opressões. O Movimento Mulheres em Luta, filiado à CSP Conlutas (Central Sindical e Popular), organizou, com o apoio do PSTU, da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel) e diversos sindicatos, a maior coluna da atividade.

Um, dois, três. Quatro, cinco, mil. Aqui são as mulheres da construção civil!
Dos canteiros de obra às ruas, as mulheres trabalhadoras da indústria da construção civil de Fortaleza, que cresce impulsionada pelo setor, estiveram presentes no ato para falar à sociedade que sua situação nos canteiros é de precarização. Baixos salários, atrasos nos pagamentos, assédio moral e até mesmo o não reconhecimento de suas funções fazem parte da realidade dessas trabalhadoras.

Na campanha salarial da categoria, a cota de 5% de mulheres por canteiro de obra e auxílio creche no valor de R$ 120 (cento e vinte reais) são algumas das cláusulas que o sindicato dos trabalhadores tem batalhado. A patronal, no entanto, em uma das últimas rodadas de negociação, se negou a atender todas as reivindicações específicas das mulheres. Mais uma prova de que há uma classe que lucra e muito com o machismo.

“E luta homem, luta mulher. Estou na rua pra barrar o ACE!”
A luta contra o Acordo Coletivo Especial (ACE) foi, ao lado do combate à violência, outro ponto central das intervenções da coluna vermelha e lilás do Movimento Mulheres em Luta (MML). O acordo propõe que as negociações no interior de cada empresa se sobreponham às leis trabalhistas.

Neste 8 de março, trabalhadoras e trabalhadores também foram às ruas demonstrar sua disposição de luta para barrar mais este ataque, e convidar todos a participarem do grande ato em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra o ACE que acontecerá no dia 24 de abril, em Brasília.