Em BH e Contagem, surge nova direção alternativa aos pelegos da CUT

Metalúrgicos da chapa 2 acompanham a apuração
Larissa Morais

As eleições para o Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte, Contagem e região, entre 26 e 29 de abril, foram extremamente polarizadas. Logo após a significativa votação obtida pela oposição no ABC paulista, duas chapas recolocaram a disputa que vem modificando os rumos da organização dos trabalhadores. De um lado, a Chapa 1, da CUT, maioria no sindicato e responsável pela vergonhosa situação de abandono da entidade. De outro, a Chapa 2 – Oposição Metalúrgica, da Conlutas, combinando renovação pela base e tradição de luta para mudar o sindicato.

Uma campanha como há muito não se via tomou conta da região. A Chapa 2 teve apoio de vários metalúrgicos que se dispuseram a fazer campanha nas fábricas e nos bairros, apresentando uma alternativa diante do imobilismo do sindicato e mostrando que havia companheiros dispostos a dizer não à flexibilização dos direitos e aos acordos rebaixados. Os panfletos e as discussões esclareceram a categoria a respeito dos ataques do governo Lula, sobretudo a reforma Sindical, denunciando o papel da CUT nesse golpe.

Oposição seguirá mobilizando a categoria
O Sindicato dos Metalúrgicos protagonizou grandiosas lutas em sua história, como as greves e ocupações da década de 80. Mas hoje esses momentos de enfrentamento com os governos e os patrões fazem parte, infelizmente, só da história, graças à política criminosa dos dirigentes encastelados na entidade. Os metalúrgicos não acreditam mais no sindicato, um dos motivos do baixo número de sócios – apenas 10% dos 50 mil na base.

A chapa da situação contou com o apoio da patronal, do governo federal e da prefeitura local. Além disso, fez uso da máquina do sindicato para sua campanha. Mesmo assim, obteve uma vitória apertada com 57% dos votos.

Resultado de uma campanha bem-feita, colada às reivindicações da base, a Chapa 2 conseguiu 43% dos votos e ganhou em importantes fábricas, assustando os pelegos.
A votação refletiu claramente um fenômeno que vem se alastrando pelo país: o descontentamento com Lula e o rechaço ao governismo dos sindicatos e da CUT. As eleições reafirmaram o desejo de mudança, a favor de uma direção de luta e independente dos governos, compromissada apenas com a luta dos trabalhadores.

A Articulação, o PCdoB e a esquerda da CUT vão tentar mostrar com esse resultado que a única alternativa sindical no país é por dentro da central, e que um processo como a da Conlutas não é “viável”. O que eles não poderão esconder é que uma chapa contra todo o aparato de Estado e a pressão da patronal teve 43% dos votos da base metalúrgica em Contagem e 37% na Volks do ABC. Não poderão tapar o sol com a peneira no funcionalismo, cujas entidades fundamentais, como Andes, Sinasefe e Fenasps, romperam com a CUT.

A Chapa 2 não ganhou o sindicato, mas ajudou a construir uma oposição enraizada nas fábricas. Por isso, o trabalho da Oposição Metalúrgica não terminou, ao contrário. Além da necessidade de reconstruir a capacidade de luta da categoria, agora a batalha é para que a nova diretoria do sindicato não consiga entregar os direitos dos trabalhadores. “Seguiremos realizando o trabalho de base, mobilizando a categoria contra as reformas, pela ruptura com a CUT e a construção de uma nova alternativa para os trabalhadores”, afirma Geraldo Araújo Batata, da oposição.

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