Egito: um referendo para não mudar nada

No último dia 20, um referendo constitucional foi realizado no Egito para consultar a população sobre mudanças na constituição. A votação teve uma participação considerada fraca, de 41% (18,5 milhões de pessoas), considerando as expectativas da população por mudanças depois do fim da ditadura. As propostas de reforma da constituição do Egito foram aprovadas por 77,2% dos votantes.

Com o referendo, sete artigos da constituição foram modificados e um oitavo artigo foi eliminado. Entre as mudanças aprovadas, está o fim da reeleição presidencial indefinida, que agora ficou limitada a dois mandatos. Requisitos para candidatura à presidência também foram reduzidos. Uma nova lei obrigará o presidente a escolher um vice até 30 dias após a eleição.

O referendo foi convocado às pressas, duas semanas antes de sua realização. Além disso, todas as emendas propostas foram redigidas por um comitê judicial designado pelas forças militares, que tomaram o governo após a queda de Mubarak.
O referendo é parte de uma manobra da junta militar para impedir as verdadeiras mudanças no país.

A ditadura de Mubarak caiu, mas esse foi apenas o início de uma longa batalha, de um processo de revolução permanente. Muitas das tarefas democráticas seguem pendentes, e o exército manobra para restringir os avanços. Comprometido com os anos de ditadura, o exército não vai punir os crimes, julgar e prender os repressores e torturadores, nem permitir que se mexa nos interesses econômicos daqueles que enriqueceram à sombra de Mubarak.

Da mesma forma, os militares desejam manter o cumprimento dos acordos políticos, econômicos e militares com o imperialismo, particularmente com Israel.
A grande vitória alcançada pela revolução com a derrubada de Mubarak não pode ser confiscada com manobras que visam preservar o regime anterior e os acordos com o imperialismo.

O povo do Egito deve exigir o fim da atual constituição e de todas as instituições do regime, a punição imediata dos agentes da repressão, liberdade sindical, direito de greve e convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.
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