Eficiência para matar

Governo quer privatizar aeroportosCom toda a hipocrisia que já lhe é característica, Lula apareceu em rede nacional de TV e pediu a “compreensão do povo brasileiro para que não haja julgamento precipitado”. Atrás das novas promessas, o governo esconde seu plano de privatizar a Infraero, estatal que administra os aeroportos do país, atendendo uma velha reivindicação das empresas aéreas. O plano foi anunciado enquanto os destroços da aeronave ainda fumegavam.

A privatização completaria a desregulamentação do setor, ampliando a crise e aprofundando a submissão da aviação nacional à lógica do lucro fácil das empresas aéreas. Foi justamente a sede por lucros que levou à piora dos serviços de segurança e ao sucateamento da infra-estrutura dos aeroportos. A privatização da Infraero elevaria os riscos de acidente por todo o país. O resultado só pode ser um: mais e maiores desastres como o de Congonhas.

Os defensores da medida evocam o velho argumento de que a privatização levaria à “eficiência dos serviços”. Só se for eficiência para matar.
O desabamento nas obras da futura estação de Pinheiros, no Metrô de São Paulo, expôs de forma dramática os perigos do avanço da privatização e terceirização no setor público. Na ocasião, a ganância das empreiteiras pelo lucro fácil foi mais forte que o respeito às regras de segurança. A “eficiência” privada resultou em sete mortes e nenhuma punição.

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