Editorial: Organizar a luta para derrotar Bolsonaro já

Manifestação massiva na Colômbia: exemplo que devemos seguir no Brasil

Editorial do Opinião Socialista 582

A onda de insurreições vem se alastrando pela América Latina e desembarcou agora na Colômbia, que teve no dia 22 de novembro a maior Greve Geral dos últimos 40 anos. O país junta-se, assim, ao grupo de países como Equador, Honduras e, principalmente, o Chile, onde a classe trabalhadora e a população vêm tomando as ruas contra os governos e as políticas neoliberais que levam miséria a milhões de pessoas e aprofundam o fosso social que separa os pobres cada vez mais pobres da pequena fração de ricos, cada vez mais ricos.

No Brasil, o governo Bolsonaro, após a reforma da Previdência, busca intensificar a guerra social contra a classe trabalhadora e o povo pobre. O plano encabeçado por Paulo Guedes é o de promover no país uma política econômica de terra arrasada, sem qualquer mediação. Plano este que inclui o fim de qualquer resquício de direito social e trabalhista, o fim dos serviços públicos e a entrega completa do país ao capital estrangeiro.

Todos os dias sai algum ataque contra os nossos direitos. Trabalho aos domingos, taxação do seguro-desemprego, contrato precarizado, etc. Enquanto isso, o desemprego só aumenta, e os que conseguem ficar no serviço veem cada vez mais seus colegas serem substituídos por outros, ganhando bem menos, até chegar a sua vez.

O projeto de Bolsonaro-Mourão e Paulo Guedes é fazer no Brasil o que a ditadura Pinochet fez no Chile: perpetuar na Constituição um programa neoliberal, privatista, que impossibilite qualquer rede pública de educação, saúde, o fim de todos os serviços públicos, até mesmo os mais básicos, e fazer com que estejam completamente nas mãos dos grandes capitalistas. O que eles querem é extinguir todos os direitos, destinar ainda mais recursos aos banqueiros através da dívida e privatizar o que ainda é público.

Criminalização
Reflexo da crescente polarização social, assim como o avanço das lutas sociais no continente, o governo e a extrema-direita fazem uma ofensiva contra os movimentos sociais, além de provocações como os insultos racistas proferidos pelos deputados do PSL na Câmara dos Deputados em plena véspera do Dia da Consciência Negra.

O deputado Coronel Tadeu (PSL) quebrou uma placa com uma charge que denunciava o genocídio do povo negro pela polícia, numa exposição da Câmara sobre o 20 de novembro. Seu colega de partido, Daniel Silveira, foi à tribuna defender o correligionário, e chegou a dizer que negros morrem mais nas mãos da polícia porque “tem mais negros no crime”.

O governo Bolsonaro, por sua vez, enviou o chamado Excludente de Ilicitude ao Congresso Nacional. A medida visa garantir a impunidade do militar que cometer algum crime durante uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem). O objetivo da medida é o de concretizar a ameaça do filho de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro, que afirmou que haveria “um novo AI-5” caso houvesse no país manifestações como no Chile. O governo se antecipa a uma explosão social garantindo os mecanismos para a repressão, no caso, um cartão verde para todo tipo de arbitrariedade dos militares contra o próprio povo.

Mobilização no Chile. Governo Bolsonaro quer impor no Brasil uma Constituição neoliberal como a de Pinochet

Unidade para lutar
Diante dos ataques diários do governo Bolsonaro e da crise social cada vez mais dramática, é urgente toda a unidade para lutar, e derrotar, o governo. No entanto, as direções do PT, e por conseguinte o PSOL e PCdoB, estão mais preocupadas com as eleições de 2022. Na reunião das centrais para definir uma resposta ao pacote do governo, recusaram-se a chamar qualquer mobilização para este ano. O PT aponta como única estratégia uma frente ampla de partidos para as eleições daqui a três anos.

É preciso, no entanto, derrotar Bolsonaro já! Uma frente ampla para as eleições como defende o PT, além de submeter a mobilização à lógica eleitoral, pretende reeditar o velho programa de conciliação de classes, corrupto e ligada às grandes empresas, bancos e empreiteiras. Um programa que, em grande parte, possibilitou que chegássemos à situação atual.

Nas eleições, o que se coloca em debate é um programa e um projeto de país. E o do PT é, de fundo, o mesmo que está sendo aplicado pelo Congresso Nacional e em que cabe partidos como o MDB, além de políticos como Rodrigo Maia. O PSTU chama a unidade para lutar com todos os que estejam dispostos a isso, e essa é a extrema urgência que temos. Mas não vamos defender um programa que ataca os trabalhadores, nem alianças com setores que defendam isso.

Derrotar Bolsonaro já! 5 de dezembro todos às ruas
Diante do quadro de ataques do governo Bolsonaro, a CSP-Conlutas está chamando para o próximo dia 5 de dezembro um dia nacional de lutas. É um primeiro passo rumo a uma mobilização maior, em que se coloca a necessidade de uma Greve Geral para derrotar o governo e seu projeto.

A CSP-Conlutas se empenhará com todas as forças na construção dessa mobilização, que acreditamos ser fundamental que também seja assumida por todas as centrais sindicais e organizações do movimento popular e da juventude que estejam dispostos a barrar os ataques deste governo“, afirma a nota divulgada pela central.

Governo socialista dos trabalhadores
É preciso nos apoiar nas lutas que ocorrem na América Latina, e prestarmos solidariedade ativa a nossos irmãos que estão nas ruas enfrentando seus governos. E, aqui, seguir esses exemplos, indo às ruas contra o projeto neoliberal de guerra social contra os trabalhadores e povo pobre.

Precisamos de um outro projeto e de um outro governo, que governe com outra lógica e que faça com que sejam os ricos que paguem pela crise. Um governo socialista dos trabalhadores, baseado em conselhos populares, que aplique um programa para os 99%, e não para o 1% como é hoje.