EDITORIAL: Enfrentar a ofensiva governista nas eleições

As pesquisas indicam que, caso a situação atual continue, os candidatos governistas devem ganhar as eleições na maior parte das cidades. Em cerca de 20 capitais, o bloco governista está na frente.

A democracia burguesa está impondo uma nova farsa. Os candidatos prometem um mundo maravilhoso caso sejam eleitos, mesmo sabendo que a crise econômica está próxima e promete atrapalhar.

O governo segue lucrando em cima do crescimento econômico que já está acabando, enquanto a recessão vai dos EUA para a Europa e o Japão. As conseqüências da crise internacional, inevitavelmente, vão cair sobre o Brasil. É muito provável que isso comece a ocorrer já no final deste ano.

Mas o que importa para o governo é que isso acontecerá depois das eleições, quando já terá se dado bem com o crescimento atual.

Existe, inclusive, um recuo da inflação, resultado da queda do preço das matérias-primas no mercado internacional com o início da recessão. Para a população, porém, os preços dos alimentos seguem muito altos.

O governo, além de lucrar com o crescimento econômico, tira proveito das direções sindicais ligadas à CUT. Esses pelegos bloqueiam as campanhas salariais de metalúrgicos, petroleiros, bancários e trabalhadores dos Correios, que poderiam influenciar a conjuntura política.

Isso facilita o crescimento eleitoral dos candidatos do governo. Em boa parte do país, candidaturas do PT e de outros partidos (mesmo partidos de oposição) buscam colar-se à imagem de Lula.

O PSTU diz não
Utilizamos nossa campanha eleitoral para enfrentar tanto o governo Lula como a oposição burguesa. Seja nas cidades em que somos parte de uma frente com o PSOL, ou onde temos candidaturas próprias, não temos medo de nos enfrentar com o governo.

Já vimos isso antes. Nas eleições de 1998, FHC teve uma grande vitória quando a crise já estava batendo na porta do país. Logo depois ela veio e começou um período de desgaste do governo.

Lamentamos que setores da oposição de esquerda não façam o mesmo. A candidatura de Luciana Genro (PSOL) em Porto Alegre, além de receber dinheiro da Gerdau, está tentando “surfar” na onda governista. Luciana está levando para a TV seu pai, Tarso Genro, ministro da Justiça. Mesmo com esse vale-tudo oportunista, Luciana caiu nas pesquisas.

Em outras cidades, mesmo sem chegar a esse extremo, os candidatos do PSOL deixam de apresentar uma postura clara de oposição.

Nossa campanha é claramente contra o governo, diferente também da oposição burguesa. O voto em um candidato do PSTU é um voto útil de verdade. Queremos construir um terceiro campo, independente, dos trabalhadores.

Votar nos candidatos governistas é reforçar aqueles que querem nos derrotar. Cada voto em nossas candidaturas ajudará a apoiar as lutas do futuro.

Durante essas semanas que restam de campanha, defenderemos as bandeiras clássicas da esquerda, como a denúncia da Lei de Responsabilidade Fiscal e a defesa do não pagamento das dívidas para permitir investimentos reais em saúde e educação.

Colocaremos nossos candidatos a serviço das lutas dos trabalhadores, como nas campanhas salariais. Os sindicatos em luta podem utilizar nosso tempo de TV se pedirem.

Você, que nos acompanha nas lutas sindicais, faça parte da nossa campanha eleitoral, apoiando nossos candidatos. Essa luta também é sua.

Post author Editorial do Opinião Socialista nº 353
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