É preciso preparar a resistência contra a crise econômica

A recessão mundial já é um fato. Além dos Estados Unidos, o Japão e a Zona do Euro, na Europa, já estão em recessão aberta. Os países imperialistas, o centro da economia mundial, já iniciaram uma recessão que vai atingir todo o planeta. A discussão hoje já não é mais se vai haver recessão, mas sim qual será sua profundidade. Pode ser que seja uma recessão forte ou ainda uma depressão, com queda de 15 a 20% na produção de países centrais.

Os índices da indústria automobilística dos EUA indicam isso. A General Motors (GM) teve uma queda de 45,1% nas vendas em outubro. A Chrysler de 34,9% e a Ford de 30,2%. O setor de ponta da indústria do principal país imperialista está quebrado, a beira da falência, necessitando da ajuda do governo norte-americano. Barack Obama já declarou que vai ajudar a indústria automobilística, como Bush ajudou os bancos.

É um símbolo da gravidade da crise econômica o fato de os governos terem que nacionalizar parcialmente os bancos e o setor de ponta da indústria para que estes não quebrem. Pode ser que a burguesia mundial consiga evitar uma depressão, mas uma recessão forte é praticamente inevitável. Muito capital terá que ser destruído para que o sistema se recomponha em um novo crescimento.

Esta recessão, que atingirá todo o mundo, vai provocar inúmeras crises políticas. Os governos atuais, que bancaram a aplicação dos planos neoliberais, terão que aplicar planos de ataque aos trabalhadores.

E os trabalhadores, vão resistir? Não há um sinal de igual entre crises econômicas e grandes ascensos de massas. Por vezes as recessões inibem as lutas, pelo medo do desemprego. Mas na crise passada (2000-2001), muito menor que a atual, ocorreram convulsões sociais e políticas, como na Argentina, Equador e Bolívia. Só que desta vez, é possível que estes grandes ascensos atinjam qualquer país imperialista e não apenas países dependentes.

E os reflexos políticos da crise no Brasil?
Não estamos perante um caminho sem volta para o capitalismo. A burguesia tem grandes pontos de apoio nos governos recentemente eleitos. É assim com Barack Obama, que tem grande apoio entre os trabalhadores de todo o mundo. É ainda assim com Lula, como todos sabemos.

Estes governos podem convencer a maioria dos trabalhadores a aceitar propostas de saída para a crise que só beneficiam a burguesia. É a situação atual: os trabalhadores no Brasil apóiam majoritariamente as medidas do governo de injetar 160 bilhões nos bancos, oito bilhões nas montadoras, entre outras medidas, achando que assim se pode evitar a crise.

Mas estamos diante do início de uma grave crise econômica. Deve ocorrer uma recessão no Brasil já em 2009. Lula vai ter que atacar os trabalhadores em benefício das grandes empresas. É possível que tenhamos rupturas de setores de massas com o governo.

O que fazer?
Em primeiro lugar é fundamental que os ativistas e os trabalhadores tenham uma visão realista da crise. O governo, com apoio da grande imprensa, primeiro disse que os reflexos da crise no Brasil seriam “imperceptíveis”. Já não se pode falar isso nos dias de hoje. Por isso, o governo admite a crise, mas tenta de todas as formas subestimá-la.

Os militantes do PSTU estão realizando inúmeras palestras e debates em todo o país, com o objetivo de esclarecer a profundidade da crise. Também estão restabelecendo o debate sobre capitalismo versus socialismo, e discutindo um programa dos trabalhadores para enfrentar a crise.

Apoiamos neste sentido o manifesto aprovado pela Conlutas em sua última reunião nacional.

Este programa aponta para a necessidade de impedir as demissões, com palavras de ordem como à exigência ao governo Lula de estabilidade no emprego, redução da carga horária para 36 horas semanais, e um plano de obras públicas para absorver os desempregados. O programa deve apontar para a estatização dos bancos e das multinacionais sob controle dos trabalhadores, além do não pagamento das dívidas interna e externa.

Além disso, é necessário começar a preparar a resistência concreta aos planos da patronal. Em muitas fábricas, as férias coletivas precedem as demissões. Em outras, as demissões já começaram. É preciso convocar assembléias que discutam as distintas propostas para enfrentar a crise. A única forma de frear as demissões é paralisando as fábricas. Podemos construir planos de luta, com paralisações parciais para ir esquentando os motores. Devemos pensar em articulações nacionais e internacionais de empresas e ou categorias para enfrentar conjuntamente as empresas.

O que está claro é que não se pode deixar de preparar a resistência aos ataques da patronal.

Post author Editorial do Opinião Socialista Nº 361
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