E o campo continua majoritário…

Quando fechávamos esta edição do Opinião Socialista, o site nacional do PT divulgava o 7° resultado parcial das eleições internas do partido. De acordo com o boletim, 98% dos votos já estavam totalizados até a manhã do dia 24.

Os resultados parciais mostravam a enorme vantagem de Ricardo Berzoini, candidato do Campo Majoritário. A disputa pelo segundo lugar nas eleições para a presidência do partido continuava acirrada, mas tudo indicava uma vitória do candidato Raul Pont, da corrente Democracia Socialista, sobre Valter Pomar, da Articulação de Esquerda.

Nada mudou
Os resultado das eleições do PT mostram claramente que nada mudou no PT. Apesar de ter encolhido um pouco, em função das denúncias de corrupção de seus principais dirigentes, o Campo Majoritário segue sendo a maior corrente do PT e, mesmo de forma mais fragmentada, vai poder manter o controle sobre o aparato. Com 42 % da composição do diretório nacional, a chapa do Campo Majoritário perdeu formalmente a maioria absoluta da direção do partido. Mas, em política, a aritmética não é absoluta. Gleber Naime, secretário de organização do PT, um dos principais articuladores do Campo Majoritário declarou ao jornal O Globo que aguarda a adesão de duas outras correntes para garantir a maioria no diretório nacional.

O dirigente declarou que espera a adesão da chapa “PT de Luta e de Massa (PTLM)”, formada pelo grupo ligado à ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, que obteve 6%, e a chapa O “Partido que Muda o Brasil”, 3%.

Além disso, a chapa “Movimento”, ligada à Maria do Rosário, a candidatura mais à direita nas eleições depois de Berzoini, obteve cerca de 11% do diretório. É bom lembrar que essa chapa inclui Arlindo Chinaglia, atual líder do PT na Câmara. Somados aos 42% do Campo Majoritário, a união dessas correntes chegaria a 62%, mantendo com larga folga a hegemonia do Campo no partido.

Mensaleiros conseguem eleger seus candidatos
Nem mesmo os parlamentares petistas envolvidos no mensalão tiveram seus poderes enfraquecidos na eleição petista. O resultado mostra que alguns dos principais nomes envolvidos em corrupção mantiveram o controle dos seus “currais eleitorais”. O deputado estadual do Ceará, José Nobre Guimarães, cujo assessor foi preso com US$ 100 mil na cueca, conseguiu eleger seu candidato a presidência do diretório estadual do PT no estado. Outro exemplo é do deputado João Paulo Cunha, que recebeu R$ 50 mil das contas de Marcos Valério e poderá se cassado. Mesmo assim, o petista conseguiu eleger sua afilhada política, Rosemeire Lima, para a presidência do PT em Osasco (SP). Até o ex-tesoureiro Delúbio Soares estará representado na chapa nacional do Campo Majoritário, uma vez que a sua esposa, Mônica Valente, está na composição da chapa ao diretório nacional.

A legitimação da fraude
Raul Pont provavelmente vai enfrentar Ricardo Berzoini no segundo turno das eleições do PT. Seguramente será derrotado e sua candidatura servirá apenas para legitimar um processo fraudulento, onde predomina o cabresto e a compra descarada de votos, para que o Campo Majoritário reafirme seu controle sobre o aparato.

Mesmo que ganhasse, não significaria nenhuma mudança real nos rumos do PT. Como as demais candidaturas da chamada esquerda petista, Pont faz tímidas críticas ao governo do PT e se propõe a “refundar” o partido. Mas, sua interpretação da crise política é a mesma do governo, dizendo que se trata de um “golpe das elites” contra Lula.

Na área econômica propõe “redução dos juros e do superávit primário”. A antiga bandeira do “Fora FMI” foi substituída pela “redução do superávit”, quer dizer, respeitar o receituário do FMI. Chega a dizer que é “sectária” a crítica ao conjunto do governo.

No caso da política externa, afirma que “foi sob o governo Lula que as negociações da Alca entraram em um impasse”. A verdade, no entanto, é que, ao lado do governo dos EUA, Lula segue nas mesas de negociação da Alca e coloca tropas brasileiras para fazer o serviço sujo de Bush e liderar a ocupação do Haiti.

Não menos escandalosa é a afirmação de que houve mudanças “estruturais na reforma agrária”. Todos sabem que a reforma agrária empacou com o governo do PT. Os índices de assentamento são menores do que os do governo FHC. A responsabilidade por isso também é do ministro do Desenvolvimento Agrário que, não por acaso, é da mesma corrente de Raul Pont, a Democracia Socialista.

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