Dois planos opostos para combater a inflação

A inflação ultrapassou 6,5%, ameaçando escapar de qualquer controle. Muitos acham que ela é uma espécie de praga da natureza em que “todos perdem”, e que seria necessário um esforço para “repartir o sacrifício entre todos”.

Essa foi a ideia que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu em entrevista ao canal Globo News. Ele chamou os trabalhadores a diminuir suas reivindicações nas próximas campanhas salariais: “olhem o que vem pela frente em termos de inflação”.

Mas a verdade é outra. A inflação é um resultado econômico da política das grandes empresas que controlam o mundo. É verdade que a maioria perde: os trabalhadores que dependem de seus salários veem seu poder de compra diminuir a cada dia. Mas as grandes empresas podem reajustar seus preços e salvar seus lucros. Na verdade, podem mesmo aumentar seus lucros com a inflação.

Os planos podem beneficiar os patrões e atacar os salários e direitos dos trabalhadores. Ou atacar os lucros dos patrões e beneficiar os trabalhadores.

A proposta de Tombini mostra que o governo tem um lado nessa queda de braço: o dos patrões. Os reajustes nos salários não são a causa da inflação, mas a reposição de perdas já ocorridas. Conter as reivindicações dos trabalhadores é bloquear a única forma de evitar a redução dos salários: sair para a luta nas campanhas salariais. Se os trabalhadores não conseguirem repor essas perdas, quem ganhará são as grandes empresas, que vão lucrar ainda mais.

O governo Dilma, na verdade, apresenta duas políticas concretas para combater a inflação. A primeira é evitar ou conter as campanhas salariais. Para isso vai se apoiar na CUT e na Força Sindical, as centrais pelegas, instrumentos do governo e da
patronal para conter as mobilizações.

A outra política é o aumento nas taxas de juros. O Copom (Comitê de Política Monetária) reuniu-se três vezes durante o governo Dilma. Em todas elas, aumentou a taxa de juros, que já era a maior do mundo.

Os trabalhadores brasileiros apoiam em sua maioria absoluta o governo Dilma. É hora então de parar a bola e refletir sobre esse fato: a presidente propõe que os trabalhadores aceitem sem luta a redução de seus salários, enquanto aumenta os lucros dos banqueiros. Ou seja, quer tornar os ricos ainda mais ricos e os pobres mais pobres.

Nós partimos de uma lógica oposta. O PSTU apoia as campanhas salariais dos trabalhadores de todo o país. O exemplo a ser seguido é o dos operários da construção civil de Fortaleza que, em uma greve radicalizada, conseguiram 10% de reajuste salarial e uma cesta básica. Apoiamos a luta do funcionalismo público de todo o país. É preciso apoiar o plano de lutas em curso da CSP Conlutas. Vem aí também a preparação das campanhas salariais do segundo semestre, com setores de ponta como metalúrgicos, petroleiros, bancários, construção civil, etc.

Mas não basta só a luta sindical. É preciso ter também um plano de combate à inflação alternativo ao do governo Dilma. Um programa que inclua a defesa da reposição automática dos salários, o chamado gatilho salarial, como uma exigência ao governo. E que se estenda para a redução e o congelamento dos preços e tarifas.
Para chegar a isso será necessário enfrentar e estatizar setores dessas grandes empresas. São dois planos opostos para combater a inflação.
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