Dinheiro público para uma arte livre e verdadeira

Leia a carta do Coletivo de Artistas Socialistas para a ocupação da FunartePerdemos a paciência, ocupamos a Funarte, já enviamos mil vezes nossas propostas, mas até agora o governo Dilma finge-se de morto. Esse total descaso com a Arte é próprio de um governo preocupado em salvar os grandes bancos e empresas da enorme crise econômica em que estão metidos. O descaso pela Arte é próprio de quem só se preocupa em salvar os lucros do grande capital, porque a Arte verdadeira é avessa ao lucro e ao capital. Um governo preocupado em defender seus privilégios, políticos que só legislam em causa própria, aumentando seus já polpudos salários, vivendo em apartamentos de luxo em Brasília, viagens internacionais em hotéis cinco estrelas… tudo às custas do dinheiro público. Um governo assim jamais terá verba para a Arte, ou apenas algumas migalhas.

Não apenas nós, os artistas, os trabalhadores da cultura, perdemos a paciência e nos sentimos enojados com o governo. Todos os trabalhadores brasileiros e também a juventude estudantil… ninguém mais tem paciência. Já não suportamos mais as mentiras deste e dos governos anteriores, sobre a falta de dinheiro para as nossas necessidades básicas. Nós pagamos impostos cada vez mais altos, e para onde vai todo esse dinheiro? Para melhorar os hospitais públicos? Não. Para aumentar as vagas nas escolas públicas e pagar bem os professores? Não. Para construir moradias dignas para o nosso povo? Não. Para que os grupos de teatro possam crescer e se multiplicar? Não. Esse dinheiro vai para o bolso dos políticos, para pagar os favores que devem aos poderosos, para salvar os bancos e as empresas das crises que eles mesmos criaram.

E não só aqui no Brasil estamos perdendo a paciência. Em todo o mundo. Na Europa, o povo está nas ruas. Na Grécia, estão enfrentando as bombas de gás lacrimogêneo. No mundo árabe, uma das regiões mais ricas do mundo em petróleo, contraditoriamente o povo já não suporta mais tanta fome, miséria e opressão. Para onde vai todo o dinheiro do petróleo? Para acabar com a fome? Não. Para construir escolas, hospitais, estradas? Não. Para a arte e a Cultura? Não. O dinheiro vai para o bolso das grandes petroleiras e para as ditaduras que dominam esses países a ferro e fogo. O dinheiro vai para as grandes potências imperialistas jogarem bombas sobre os povos que lutam.

Esse não é o mundo no qual a arte e a cultura poderão se desenvolver. Num mundo onde os homens não são livres, não pode haver uma arte livre.

Nós não queremos ser artistas privilegiados, queremos que todos os seres humanos sejam artistas, desenvolvam seu talento. Mas num mundo onde impera a fome, a opressão, a violência, o desprezo pela vida humana, a arte não tem espaço.

Por isso, nossa causa é a causa da emancipação da humanidade em relação ao capital. E para que essa causa, a causa que dá sentido às nossas vidas e à nossa arte, não morra aqui, é preciso ir até o fim em nossa luta. Mas temos de ser claros: hoje a classe trabalhadora enfrenta o desafio de retomar a estratégia da revolução socialista mundial para derrotar este sistema e terminar para sempre com a exploração e o flagelo das guerras e das crises econômicas. As lutas espontâneas são importantes, mas sem uma organização combativa, que aponte uma perspectiva para os trabalhadores, não conseguiremos avançar.

Os trabalhadores vêm dando grandes passos nesse sentido. A criação da CSP-Conlutas, em alternativa à CUT oficialista, foi uma vitória. Entre os artistas, nós estamos propondo a construção de uma alternativa também, o Coletivo de Artistas Socialistas (CAS), aberto a todos aqueles que concordam com a necessidade do socialismo. Chamamos a todos os artistas, a todos os trabalhadores da cultura que já perderam a paciência e querem mudar o mundo, a se somarem a nós nesse esforço de construir o CAS. De forma democrática, ampla, mas com muita clareza sobre nossos objetivos: por uma arte livre, independente e revolucionária.

Viva a luta dos trabalhadores da arte!

CAS – Coletivo de Artistas Socialistas
São Paulo, agosto de 2011