Dica de filme: Dália Negra

Em cartaz em cinemas do Brasil, Dália Negra traz o mais novo trabalho do respeitado diretor Brian De Palma, cuja filmografia inclui películas de peso como Scarface, Os Intocáveis e Carrie, a Estranha. Já o elenco, embora com nomes menos significativos, traz dois dos mais requisitados atores da atualidade, Josh Hartnett (Xeque-Mate) e Scarlett Johansson (Encontros e Desencontros), nos papéis principais, além de Hilary Swank, vencedora do Oscar 2005 de melhor atriz por Menina de Ouro.

Dália Negra teve o privilégio de abrir oficialmente o Festival de Cinema de Veneza desse ano, mesmo figurando entre os concorrentes, fato que não acontecia há 20 anos.

O filme é ambientado em uma atmosfera retrô, com claro apelo a um tempo passado cujos traços e valores, bons ou ruins, já não voltam mais. Pode-se mesmo afirmar que a maior característica dos filmes noir é essa: a de contar histórias envolventes e atemporais, com um boa dose de cinismo nos diálogos. Por esse tom cínico, observa-se como é comum as personagens noir soarem falsas, como nada é o que parece à primeira vista neste mundo. A exceção corre por conta do mocinho, que não é exatamente o mocinho-típico-salvador-do-dia, mas aquela figura cuja principal motivação reside em levar às últimas conseqüências seus atos que são, em geral, nobres e corajosos.

Os melhores filmes noir são ambientados no meio policial, onde o detetive-mocinho percorre toda uma estrada esburacada de intrigas e traições até encontrar a verdade, ou ser encontrado por ela. Tal é o roteiro de Dália Negra, onde os dois parceiros de polícia Bleichert e Lee Blanchard (interpretados por Hartnett e Aaron Eckhart) investigam a morte de uma jovem atriz, numa intrincada teia de escaramuças. A dupla é famosa no meio policial por protagonizar um combate de boxe mezzo-promocional/mezzo-caridade, o combate “Fogo X Gelo”. Os dois também dividem o amor da mesma mulher, a femme fatale Kay Lake (Johansson), que é esposa de Lee Blanchard, e assim se fixa o clássico triângulo afetivo-amoroso.

No meio dessa trama, ainda aparece Madeleine Sprangue (Swank), num papel descontinuado de amante de Bleichert e, ao mesmo tempo, vítima e algoz do crime investigado.

De Palma continua com a mão que o consagrou. Tomadas panorâmicas cuidadosamente escolhidas, meio-quadro, jogos de luzes e sombras, enfim, tudo que dele se conhece. Somado a isso, De Palma tem o senso crítico de cercar-se de uma equipe técnica bastante competente e criativa, a maioria multi-premiada. Tudo isso misturado a um roteiro bem trabalhado fazem de Dália Negra um bom filme não só para os apreciadores do estilo noir, mas também para os amantes do bom cinema.

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