Dia de paralisações dá a largada para a greve dos bancários

Depois de muitos “vai-e-vens”, categoria começa a se mover e já está atropelando a direção do movimentoO dia de luta dos bancários, 28 de setembro, foi forte em todo o país. A paralisação de 24 horas ocorreu de norte a sul, inclusive nos locais onde a direção do sindicato não queria parar, como em Brasília, Piauí e São José do Rio Preto.

Em São Paulo, a ação do sindicato foi deplorável. A direção da entidade concentrou todo o aparato no centro da cidade e abandonou o resto da cidade à própria sorte. Mesmo assim, a paralisação aconteceu em diversos locais da Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil (BB) e Nossa Caixa, com a organização dos próprios bancários e a ajuda do Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), ligado à Conlutas.

Em Brasília, a direção do sindicato estava contra a paralisação. Mesmo assim, a mobilização foi muito forte no setor de Tecnologia do BB, parando 95% do trabalho.

Direção traidora não consegue segurar o movimento
A Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) enrolou bastante os bancários, mas não consegue mais controlar a situação. Depois de ocorrerem assembléias na semana passada que apontaram para uma paralisação nacional no dia 27, a Contraf se adiantou para marcar a paralisação para o dia 28.

A confederação tentou fazer uma manobra, realizando negociações em meio à paralisação para apresentar as propostas na próxima assembléia, no dia 3 de outubro, e fechar um acordo rebaixado, enfraquecendo a campanha nacional. Porém a situação fugiu do controle da direção novamente. A assembléia do Rio de Janeiro, o segundo maior sindicato do país, resolveu iniciar uma greve na CEF por tempo indeterminado.

O sindicato de Porto Alegre também tem assembléia marcada para o dia 2, com proposta de greve a partir do dia 3. Isso complica a vida da burocracia da CUT e coloca em risco todo o plano que eles construíram com os banqueiros.

Diante disso, a Fenaban não apresentou a proposta final, pois isso poderia levar a uma revolta da base nas assembléias e detonar uma greve nacional por tempo indeterminado, a exemplo do que aconteceu em 2004, quando os bancários ficaram 30 dias parados.

A burocracia da CUT está numa enrascada: há uma greve em curso, uma mobilização crescendo, uma proposta rebaixada que não sai e nenhuma certeza sobre onde vai dar tudo isso.