Dezembro e os analfabetos

Começa dezembro. É o início do fim do ano. Seguramente, o momento para balanços de todo tipo: os individuais, os dos países e governos, os mundiais.

De todos esses ângulos, escolhemos um, para começar o balanço desse ano. Um balanço para não esquecer, desses que ficarão na lembrança de gerações e gerações. 2005 foi o ano em que milhões de trabalhadores e jovens viram a verdadeira face do PT. Viram que, por trás da máscara de Lula, dessas que se vendem no carnaval, vinha a mesma cara de FHC.

Ano velho difícil, experiência traumática. Não é fácil acreditar em um sonho, acalentado por muitos e muitos natais. Não é fácil que depois ele se transforme em um pesadelo que não acaba. A cada dia, novos escândalos, novas coisas a encobrir, a explicar, para tentar justificar o injustificável.

O mais terrível dessa história é que, para muitos, depois da ilusão perdida no ano que está se acabando, não existirá mais ano novo. Para muitos trabalhadores e jovens, a desilusão com o PT leva a que não se acredite mais em partidos. É como se a história tivesse terminado, e a decisão de mudar o mundo se esgotasse com a falência do sonho petista.

O trágico é que, quando os ativistas abaixam suas bandeiras e se rendem, toda uma geração de trabalhadores e juventude é condenada. Aqueles que são os mais capazes, os mais ativos, têm uma responsabilidade enorme. Se as desilusões inevitáveis com o PT levarem toda uma geração a abandonar suas lutas, teremos uma vitória pela negativa, exatamente daqueles que só querem manter tudo como está.

Por isso, não adianta simplesmente “odiar a política”. Temos todo o respeito por todos, mas Bertold Brecht tinha razão quando dizia:

“O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio,
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro,
e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista, pilantra,
o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Hoje, existem muitos que fazem sua experiência negativa com o PT e regridem ao analfabetismo político. Por outro lado, outros, oportunistas, como não podem se apresentar com seu verdadeiro nome, apoiadores de partidos de direita, como PSDB e PFL, assim como do PT e do PCdoB, se apresentam como “independentes”, para atacar “os partidos”. Ultimamente, vimos representantes do P-SOL fazendo a mesma coisa.

É preciso seguir a luta, arriscar no ano novo. Identificar os políticos dos partidos identificados com essa democracia burguesa que aí está. E ter a ousadia de encarar o novo.

O PSTU é um partido que se orgulha de ser um partido e de ser um partido diferente desses outros, ligados ao regime. Um partido que não está voltado para conseguir votos a cada dois anos, mas para organizar a luta direta dos trabalhadores e estudantes. Um partido que não se financia com o dinheiro da corrupção, mas com a contribuição voluntária de cada um de seus apoiadores. O PSTU é o novo na política brasileira.

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