Deputados agora querem aumentar seus salários

Proposta é aumentar os salários para R$ 24.500O escândalo das cotas de passagens aéreas, utilizadas por amigos, familiares, compadres e namoradas dos deputados, não foi suficiente o bastante para constranger os picaretas do Congresso Nacional. Mesmo sob uma enxurrada de denúncias sobre seus privilégios pagos com dinheiro público, os deputados agora querem aumentar os seus próprios salários.

A proposta é aumentar dos atuais R$ 16.594 para o teto do Supremo Tribunal Federal (STF) de R$ 24.500. Como os deputados farão isso? Nos corredores do Congresso se fala em incorporar outros privilégios, como a verba indenizatória, as cotas de correio, telefônica e o auxílio-moradia. Só a verba indenizatória assegura a devolução de até R$ 15 mil mensais aos deputados, para gastos relativos ao exercício do mandato.

A verba indenizatória também é usada para a compra de passagens pelos deputados. Ou seja, as cotas não são o único meio para os parlamentares desfrutarem do privilégio de comprar bilhetes aéreos com o dinheiro público. Alguns deputados, depois que o escândalo veio à tona, resolveram ressarcir o Congresso com os valores pagos às passagens aéreas. Mas uma das formas de pagamento foi o uso da própria verba indenizatória.

Segundo um levantamento do site Congresso em Foco, só no ano passado, a Câmara ressarciu os parlamentares em R$ 83,9 milhões por despesas feitas, por exemplo, com combustíveis, alugueis e divulgação dos mandatos. Os deputados gastaram R$ 17,8 milhões só em combustível. Esse valor é suficiente para fazer mais de 17,2 mil viagens de Porto Alegre (RS) a Belém (PA).

Apesar de todos os escândalos, os caciques dos principais partidos asseguram que não haverá punição para ninguém. “Em primeiro lugar nunca houve farra. Existia um sistema normativo anterior e agora vamos minimizar o noticiário”, disse Michel Temer, presidente do Congresso.

Enquanto os deputados receberão um salário que um trabalhador não conseguiria reunir num ano inteiro de trabalho, o governo vai anunciar o aumento do salário mínimo para pouco mais de R$ 500 para o ano que vem. As centrais pelegas, como a CUT e Força Sindical, aplaudem.

É preciso acabar com todo tipo de privilégio dos parlamentares, como o fim das verbas indenizatórias, os foros privilegiados, os sigilos bancário e fiscal. Os congressistas devem receber um salário igual ao de um trabalhador especializado. Para acabar com a impunidade dos picaretas do Congresso Nacional, é necessário também instituir a revogabilidade dos mandatos de todos os congressistas.