Depois do terremoto, epidemia de cólera atinge o Haiti

Enquanto isso, soldados da ONU reprimem protestos contra a ocupaçãoHospitais lotados, crianças e bebês contaminados, centenas de pessoas agonizando nas ruas, mais de 450 mortes e mais de seis mil pessoas infectadas. Esta é a nova devastação pela qual passa o Haiti, que enfrenta uma grave epidemia de cólera.

A situação é ainda mais terrível devido às condições precárias nas quais vivem milhões de haitianos após o terremoto de janeiro passado. Nas regiões afetadas, dezenas de crianças e adultos estão deitadas sobre as ruas ou sob barracas improvisadas. Na precária rede hospitalar do país, os pacientes se amontoam pelo chão. Muitos estão com baldes e soros em seus braços.

A epidemia já chegou à capital, Porto Príncipe, onde mais de 1,5 milhão de pessoas estão morando nas ruas em precários acampamentos, sem saneamento básico e com acesso limitado à água potável.

Para piorar, a passagem do furacão Tomas pelo país, no último dia 5, deixou ao menos 20 mortos, 36 feridos e cerca de seis mil famílias desabrigadas. A região mais atingida foi o departamento de Grand’Anse, no sudeste do país. O furacão vai agravar o surto de cólera, principalmente por causa das fortes chuvas. O rio Artibonite, por exemplo, foco da doença, transbordou por causa das tempestades.

Mais uma tragédia anunciada
A epidemia de cólera mostra de forma dramática a situação na qual vivem os haitianos após o terremoto. Pouco ou nada foi reconstruído, e grande parte da população ainda vive sobre os escombros e nos acampamentos improvisados. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a primeira epidemia de cólera em um século no Haiti. Desde o terremoto havia o temor de que uma epidemia atingisse o país, mas nada foi feito.
Além disso, o surto de cólera também não foi explicado de forma convincente. Recentemente, a ONU disse que vai investigar se a doença foi trazida por soldados infectados que ocupam o país.

Soldados reprimem manifestantes
Enquanto isso, as tropas da ONU continuam reprimindo qualquer manifestação contra a ocupação. No dia 15 de outubro, soldados da Missão das Nações Unidas para Estabilizar o Haiti (Minustah, na sigla em inglês) fizeram disparos para o ar e agrediram manifestantes reunidos próximo à base das Nações Unidas no aeroporto de Porto Príncipe. O protesto era contra a renovação da missão. Um dia antes, o Conselho de Segurança da ONU havia renovado o mandato da Minustah.

“Todo mundo correu em diversas direções. Houve enfrentamentos, e até as pequenas vendedoras ali sentadas tiveram que fugir, deixando no chão suas mercadorias. Um cinegrafista da Al Jazeera recebeu golpes na cabeça, ferindo-se seriamente”, relata a Batay Ouvriye.

Muitos outros protestos contra a ocupação foram registrados no mês passado como parte de um calendário unificado de luta. As manifestações são lideradas por organizações populares como Batay Ouvriye, Movimento Democrático Popular (Modep), Plataforma de Empregados Despedidos das Empresas Públicas (Pevep), Central Autônoma de Trabalhadores Haitianos (Cath), Antena Operária, Comitê de Resistência de Duvivier (KRD), Cabeças Juntas de Organizações Populares e Frente de Reflexão e Ação para o Alojamento Popular (Frakka).

Outros protestos ocorreram nas cidades Cap Haitien, Plaisance e Limonade, segundo a Batay Ouvriye.

No dia 15 de outubro, ativistas da CSP-Conlutas realizaram um ato em solidariedade ao povo do Haiti, em frente ao prédio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. O protesto exigia a retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti, que estão a serviço de um plano imperialista para colonizar o país.
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