Depois da vitória em Brasília, ir para as bases

A grande imprensa quase ignorou a marcha a Brasília do dia 24 de outubro. Os jornais que cobriram o fato não deram nenhum destaque, deixando-o fora das primeiras páginas em todo o país. Em todos os jornais, o número dos presentes foi subestimado.

No entanto, foi a principal mobilização nacional de oposição ao governo Lula em 2007. A passeata juntou 16 mil pessoas vindas de todo este país-continente, algumas com dois ou três dias de viagem.

O boicote da imprensa tem dois objetivos claros: o primeiro é ocultar dos trabalhadores do país a existência de uma oposição de esquerda ao governo, para que sempre se pense ao redor de dois blocos: o do governo e o da oposição de direita. Mas a oposição de esquerda existe e ocupou Brasília. E, dentro do conjunto das entidades que convocaram a marcha, se destaca com clareza o papel da Conlutas, amplamente majoritária na atividade. Apesar da grande imprensa, uma nova direção para as lutas das massas está surgindo.

O segundo objetivo é evitar que se amplie o que a marcha já demonstrou: começou uma campanha de massas contra a reforma da Previdência. Só é possível reunir um número tão grande de pessoas em Brasília, sem contar com o dinheiro do estado ou da burguesia, se houver apoio de um setor de massas.

E é isso que começa a ocorrer. Rompendo a barreira da falta de informação, passando por cima do bloqueio da CUT e da UNE, uma parte dos trabalhadores começa a entender que o governo Lula está preparando um grande ataque aos seus direitos.

Os estudantes já perceberam que o Reuni, o projeto de reforma universitária, é um gigantesco ataque ao ensino público. As ocupações das reitorias são expressões de uma reação de vanguarda apoiada pelas massas das universidades. Contra a posição pelega da UNE governista, a Conlute se destaca nas ocupações das reitorias.

Os trabalhadores recém iniciam um movimento de entendimento do significado desta proposta de reforma da Previdência do governo, que visa, na verdade, acabar com o direito de aposentadoria dos trabalhadores. Como o projeto do governo não foi apresentado (ao contrário do Reuni), o processo apenas começou.

A marcha em Brasília, por superar o bloqueio da CUT e da UNE, foi um feito notável. Nem a ausência do MST conseguiu evitar o sucesso da marcha. O que a grande imprensa burguesa quer evitar é que esse feito seja conhecido por todos.

E é esta a tarefa que o conjunto das forças que se uniram no dia 24 tem pela frente: passar por cima também do boicote da imprensa para levar até as massas de trabalhadores o sucesso da marcha e a campanha contra a reforma da Previdência. Os sindicatos devem utilizar seus jornais e boletins para informar suas bases, além de preparar materiais próprios para isso.

Depois da vitória da mobilização em Brasília, a palavra-de-ordem é ir para as bases para explicar a reforma. Só assim se preparará o próximo passo da campanha, que deverá ser de maior porte, em março do ano que vem, com um dia nacional de paralisações e mobilizações.

Post author Editorial do Opinião Socialista nº 320
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