Dengue no Rio: governos são culpados

Uma epidemia de dengue assola o Rio de Janeiro. A cidade chegou a registrar em um único dia cerca de 1.100 casos, ou seja, 45 novos casos por hora.

Quando fechávamos esta edição, o total de pessoas contagiadas era de 41.978. A doença já matou 67 pessoas. No entanto, o número ainda pode ser maior. O próprio secretário de saúde do estado do Rio admite que pelo menos outras 50 mortes registradas desde janeiro podem estar associadas à epidemia.

Irresponsabilidade
Não é só o clima tropical, as florestas e a umidade do Rio, como dizem os governos, que são responsáveis pela proliferação do mosquito da dengue. O ritmo alucinante do crescimento da doença é proporcional à irresponsabilidade do governo federal, estadual e da prefeitura da capital. Todos eles cortaram drasticamente as verbas para combater a dengue, enquanto o país pagou R$ 230 bilhões em juros da dívida pública.

O prefeito César Maia (DEM) tenta lavar as mãos diante do caos. No último dia 25, o secretário de Saúde da prefeitura, em entrevista à Rede Globo, afirmou que os cariocas terão que “conviver com o aedes aegypti” – mosquito transmissor da dengue.
O que César Maia tenta esconder é que, em 2006, deixou de usar R$ 12 milhões da verba destinada ao combate à dengue, segundo o Tribunal de Contas do Município.
O governador do estado, Sérgio Cabral (PMDB), também realizou cortes de verbas no setor. Ele reduziu em 48,6% os gastos em prevenção e combate à dengue para este ano no Rio. Os R$ 39,5 milhões orçados em 2007 para combater a doença, foram reduzidos para R$ 20,3 milhões em 2008. Mesmo depois de a epidemia assolar o estado, até o dia 24 de março apenas R$ 704 mil do total orçado (3,5% do total) haviam sido aplicados na área.

Além disso, desde 2004, foram cortadas as verbas estaduais de “vigilância epidemiológica (de doenças)” e “vigilância em saúde”, de R$ 45,6 milhões (valores corrigidos pelo IGP-M) para R$ 39,5 milhões (2007).
O governo Lula também é responsável pelo caos. Apesar das bravatas do ministro da Saúde José Gomes Temporão, em 2007, o governo federal reduziu para menos da metade a verba total do “programa de prevenção e controle da malária e da dengue” em todo o Brasil. O montante caiu 53,6%, de R$ 85,4 milhões (2006) para R$ 39,6 milhões (2007).

Além de ter diminuído os recursos contra a dengue, o Ministério da Saúde só aplicou efetivamente um terço do volume destinado especificamente para a doença. Apenas R$ 7,1 milhões, dos R$ 22,8 milhões autorizados para gastos exclusivos com a dengue em 2007, foram usados. A informação está no portal Contas Abertas.
Enquanto isso, os governantes praticam um jogo de empurra-empurra e fazem todo tipo de demagogia, anunciando medidas paliativas e insuficientes para deter a epidemia, como a folclórica orientação dada à população para usar calças e blusas de manga comprida para evitar picadas do mosquito transmissor.

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