Crise da política imperialista

A vitória eleitoral do Hamas mostrou a crise de todos os pilares da política imperialista no Oriente Médio: se esfacela a pax romana na Palestina, a ocupação do Iraque está num pântano e as ameaças contra o governo iraniano não parecem, pelo menos por enquanto, ter condições de concretizar-se. Todos esses fatos expressam o que a LIT-QI chamou de “situação revolucionária mundial” e, especialmente, um grande ascenso antiimperialista das massas árabes.

A desculpa contra o Irã é que esse país está fabricando bombas atômicas. No entanto, até agora, o Irã só desenvolveu tecnologia para gerar energia atômica (similar à que têm, há décadas, alguns países como Brasil e Argentina). Apoiando-se na ONU, o imperialismo exige poder inspecionar o país, e o governo iraniano não aceita essa intromissão. Nesse sentido, o jogo imperialista se parece com as famosas “armas de destruição em massa” que serviram de desculpa para a invasão do Iraque.

Hipocrisia imperialista
Para nós, é totalmente secundário se o Irã já tem ou vai fabricar a bomba atômica. A suposta intenção imperialista de evitar a “proliferação de armas nucleares” é totalmente hipócrita. Os países imperialistas, Rússia e China possuem a imensa maioria dessas armas e não têm nenhuma intenção de desarmar-se. Vale lembrar também que até agora os EUA foram o único país que usou essas armas em ataques contra populações (Hiroshima e Nagasaki, em 1948). Como uma mostra dessa hipocrisia, enquanto ameaçam o Irã, esses países e a ONU fazem vista grossa às bombas atômicas de Israel, país que, ao não ter assinado o Tratado de Não Proliferação Nuclear, se reserva o direito de usar essas armas contra um “país não nuclear”. Nesse contexto, defendemos o direito do Irã de desenvolver sua tecnologia nuclear e, inclusive, de fabricar armas nucleares para defender-se de um ataque imperialista ou israelense.

Ao mesmo tempo, se desmascara também o verdadeiro rosto do imperialismo europeu. Longe da imagem “democrática” que nos querem vender, países como a França e a Alemanha, que não estiveram de acordo com a invasão do Iraque, agora concordam com a ocupação militar desse país. Na atual situação com o Irã, o presidente francês Jacques Chirac passou à frente e ameaçou esse país com um possível ataque de armas nucleares. E esses hipócritas nos querem falar de paz!

As verdadeiras razões
Na verdade, as razões de fundo das ameaças são outras: o Irã é um dos poucos países relativamente independentes do imperialismo que sobra no mundo, como resultado da revolução que em 1979 derrubou o Xá Pahlevi, agente incondicional do imperialismo. Essa revolução foi logo abortada e derrotada pelos ayatolás, que instalaram um reacionário e repressivo regime de ideologia religiosa. Nós, revolucionários, repudiamos esse regime e apoiamos todas as lutas do povo iraniano para derrubá-lo e para democratizar o país.

Como já dissemos, porém, o país manteve sua relativa independência e o projeto de Bush, a partir do 11 de setembro de 2001, foi destruir esses regimes que, apesar de corruptos e repressivos, não o obedeciam cegamente. No caso do Irã, é uma velha conta a cobrar desde 1979.

Este ano, fracassada a tentativa de mudar as coisas pela via eleitoral (o candidato do imperialismo foi derrotado) recrudesceram as ameaças. O que está em jogo não é a luta entre “democracia” e repressão. Trata-se de um ataque dos países imperialistas a um país muito mais fraco que defende sua independência. Sem depositar nenhuma confiança no regime dos ayatolás, nós, revolucionários, apoiamos claramente o Irã e seu povo neste enfrentamento contra os EUA, os países imperialistas europeus e Israel.
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