Cresce o pântano para o imperialismo

Desde 11 de setembro de 2001, o governo de George W. Bush tenta retomar com sangue e fogo o controle absoluto sobre o Oriente Médio, acompanhado, com maiores ou menores contradições, pelo imperialismo europeu. A primeira ação desta política foi a invasão do Afeganistão (2001) e o segundo passo foi a invasão do Iraque (2003). Em ambos os casos, o Estados Unidos conquistaram rápidas vitórias militares, derrubaram os governos dos Talibans e de Saddam Hussein e instalaram regimes coloniais, sustentados pelas tropas invasoras.

Uma análise do conjunto da situação atual mostra que, longe de conquistar o objetivo de controlar a região, a posição do imperialismo está cada vez mais complicada. Apesar de sua ofensiva militar genocida e do aumento dos gastos de guerra, o imperialismo ainda não controla o Iraque, sua “primeira frente”, pois está acossado por uma resistência militar com apoio de massas. Agora vê reabrir-se diante de seus olhos uma “segunda frente” no Afeganistão, país que até pouco tempo parecia controlado.

Esta realidade impõe ao governo Bush a necessidade de redobrar seus esforços de guerra, com um custo econômico e político cada vez maior. Ou seja, bem diferente de seu plano inicial de conquistar “triunfos rápidos” e deixar esses países governados por fantoches. Apenas com a guerra do Iraque, os EUA já gastaram US$ 320 bilhões. O Congresso dos EUA ainda aprovou para 2006 um gasto de US$ 64 bilhões. Contudo, apesar de todos estes gastos, a guerra parece bem distante de seu final.

Bush se debilita
Como resultado desta situação, Bush se debilita cada vez mais nos EUA. O repúdio à guerra é amplamente majoritário entre a população do país e a popularidade de Bush está em torno de 37%, muito baixo para um presidente que comanda uma guerra.
A crise de Bush também é seguida das derrotas de seus parceiros na invasão ao Iraque, como as derrotas eleitorais de Aznar (Espanha), Berlusconi (Itália) e a recente derrota nas eleições municipais de Tony Blair (Grã Bretanha).

A situação do Iraque e do Afeganistão já divide a burguesia ianque. Semanas atrás, se tornou público nos EUA um texto que condena as torturas na prisão de Guantánamo, em Cuba, onde estão os prisioneiros da guerra do Afeganistão. O texto afirmava que tais práticas vão “contra o espírito da Constituição dos EUA” e foi assinado, entre outras pessoas, pelo ex-presidente democrata Jimmy Carter. No entanto, o mais significativo é que esta campanha é impulsionada pelo poderoso jornal New York Times. Ao mesmo tempo, há também uma ampla divulgação da matança de civis em Haditha.

É difícil acreditar que este grande jornal imperialista se tornou, repentinamente, “humanitário”. Expressa, na realidade, a preocupação de um crescente setor da burguesia dos EUA. Temem que a política de Bush conduza o país a um beco sem saída no Iraque e Afeganistão. Por outro lado, temem que a insatisfação contra Bush fuja do controle dentro do próprio EUA. Recordemos que, junto a sua agressiva política externa, Bush promoveu nos EUA um projeto bonapartista, atacando as liberdades individuais da população dos EUA.

Completando o quadro, se desenvolvem hoje nos EUA mobilizações de milhões de imigrantes, especialmente latino-americanos, que lutam pelos seus direitos. Por isso, o New York Times e os setores burgueses buscam elaborar uma política alternativa que “salve a pele” do EUA no Oriente Médio e permita também solucionar os problemas internos.

A combinação entre o agravamento da situação no Oriente Médio e a crise do governo Bush põe na ordem do dia a possibilidade do imperialismo ser derrotado no Iraque e no Afeganistão, tal como foi no Vietnam. Contribuir para esta derrota, apoiando a luta dos iraquianos, afegãos e palestinos, é a principal tarefa de todos os lutadores antiimperialistas e revolucionários.

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