Corrupção ajuda a reduzir popularidade de Lula

Popularidade de Lula caiu quase nove pontos em três meses
Foto de arquivo / Abr

Popularidade do presidente cai pelo terceiro mês consecutivo. Maioria também desaprova política econômicaO presidente Lula já começa a colher os frutos das operações abafa e da corrupção em seu governo. A pesquisa Sensus/ CNT, realizada entre os dias 24 e 27 de maio, ou seja, em pleno olho do furacão dos escândalos de corrupção nos Correios, indica uma queda lenta, porém, constante na aprovação de Lula. Apesar de 57,4 % aprovar a imagem do presidente, contra 66,1 % em fevereiro, a pesquisa indica que popularidade do petista está se encaminhando para o nível mais baixo desde junho do ano passado, no auge do caso Waldomiro Diniz, quando teve 54,1% de aprovação. E ainda mostra uma queda da popularidade de 8,7 pontos percentuais nos últimos três meses(de março a maio) .

Mas a pesquisa não se limitou a somente ver com anda a popularidade de Lula. Para a maioria, a roubalheira aumentou ou continua igual a outros governos corruptos. Para cerca de 31,2 % dos entrevistados, a corrupção no país, depois do governo do PT, aumentou pouco ou muito em relação aos governos anteriores. Outros 45% dizem que o nível de corrupção continua o mesmo. Esses resultados indicam que toda vã esperança de que com PT haveria “um pouco menos de roubalheira” caiu definitivamente por terra.

Sobre a instalação da CPI para apurar as denúncias de corrupção nos Correios, cerca de 86% dos entrevistados que tomaram ciência dos escândalos disseram que são favoráveis a sua criação. Esse resultado apenas confirma que os esforços de abafar a CPI dos Correios vão continuar produzindo um enorme desgaste ao governo.

Política econômica e social
No mesmo dia em que foram divulgados os indicadores econômicos dando conta da desaceleração do crescimento econômico e do aperto fiscal recorde, os dados apontados pela pesquisa mostram que a maioria (45,2 %) considera a política econômica do governo inadequada. Em dezembro de 2004, esse índice era de 33,5%. O aumento do salário mínimo para R$ 300 também foi considerado inadequado para 66% dos entrevistados. Essas informações ganham relevância se considerarmos o esforço de mídia que o governo federal faz para tentar mostrar os “benefícios” do crescimento econômico do país, particularmente no se refere às promessas de melhorias na política social. Política essa, aliás, inadequada para 42,8% dos entrevistados.

Crise
O governo Lula vive a maior crise política desde a sua posse. Diferentemente da época do Caso Waldomiro, o petista não conta mais com todo o entusiasmo e expectativas de mudanças. A pesquisa revela uma queda em todos os índices do governo. Em alguns casos, como a política econômica e social, mostra uma inversão com relação aos dados do ano passado.

Já no mês de abril, pesquisa do instituto Sensus mostrava o descontentamento da população com o fisiologismo do governo e suas ‘negociações’ com deputados e partidos. Na época, 59% das pessoas consideravam que, nas negociações com o governo, os parlamentares buscavam ‘benefícios pessoais’. Para 39%, o apoio dos partidos ao governo não deveria traduzir-se em participação em ministérios.

Se o governo petista copia FHC no terreno econômico, a institucionalização de salvo-condutos para os corruptos do seu governo faz que a população perceba que entre o governo do PT e PSDB não há nenhuma diferença, é “tudo farinha do mesmo saco”. Dessa maneira, se aprofunda o desgaste das instituições da democracia burguesa, pois já não há mais esperanças de que o PT possa reformá-la.