Contra a falsa polarização, unir a esquerda

Esta edição especial do Opinião Socialista é dedicada à divulgação das conclusões da Conferência Nacional do PSTU, em particular da proposta de formação de uma Frente de Esquerda, Classista e Socialista nas eleições de outubro próximo. Estamos publicando um caderno especial dedicado a esta discussão.

Este número do Opinião, excepcionalmente, tem 16 páginas e uma validade de 15 dias.
A demissão de Palocci trouxe a crise política de volta ao centro da vida nacional. Pior para os petistas que esperavam a extensão da conjuntura do início do ano até as eleições, com Lula reinando quase sozinho.

A polarização eleitoral entre PT e PSDB-PFL aumentou rapidamente, mas engana-se quem ver nesse tipo de batalhas mais do que a realidade: briga eleitoral armada para desgastar o adversário, mas sem nenhuma pretensão de derrubar o circo. São brigas violentas, parecidas com as disputas entre bandos de narcotraficantes pelo controle dos morros no Rio de Janeiro.

Nenhum dos bandos se dispõe a mais do que controlar os postos de vendas, para fazer a mesma coisa, vender suas drogas. Esses partidos (PT-PCdoB-PTB-PP de um lado, e PSDB-PFL de outro) vão controlar o Estado para impor o mesmo programa neoliberal. Mas brigam porque cada um dos bandos deseja fazer suas próprias maracutaias.
Exatamente por isso, o mercado manteve-se calmo com o anúncio da demissão de Palocci, porque toda a burguesia sabe que a política econômica será mantida, com ou sem ele.

Enquanto isso, Ângela Guadagnin, deputada federal do PT, dançava na Câmara do Deputados, comemorando a absolvição de mais um colega. Ela comemorava o resultado do acordão entre PT, PSDB e PFL. Foi uma dança solo, registrada e divulgada nacionalmente, como uma comemoração da impunidade. Mas Guadagnin bem poderia ser a porta-bandeira do bloco de todo o Congresso, representado tão bem por ela.
É provável que os episódios desta semana apontem para o que vamos ver durante o ano. Baixarias de todos os lados sendo reveladas com um cheiro de podridão a cada dia.

É por isso que propomos uma Frente de Esquerda, Classista e Socialista. É preciso superar essa falsa polarização entre PT e PSDB, para mostrar que eles defendem o mesmo programa, a mesma corrupção. É preciso apontar para uma frente classista com partidos de esquerda (PSOL, PCB, PSTU), para mostrar uma alternativa, dos trabalhadores e socialista.

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