Construir uma jornada latino-americana de lutas entre 12 e 18 de outubro

Nestes dias em que a crise econômica internacional toma grandes dimensões, os trabalhadores e estudantes devem retomar uma tradição internacionalista. É inevitável que os capitalistas trabalhem para que os trabalhadores paguem com seus salários e empregos os custos dessa crise.

Esse é um motivo a mais para se integrar na Semana Antiimperialista, que será realizada em toda a América Latina entre os dias 12 a 18 de outubro. Esse evento foi definido no Encontro Latino-Americano e Caribenho dos Trabalhadores (Elac), ocorrido nos dias 7 e 8 de julho em Betim (MG).

A última reunião da coordenação da Conlutas, em 14 e 15 de setembro, definiu promover essa semana, buscando uma ação coordenada no continente contra o imperialismo, que se combine com as lutas concretas dos trabalhadores e estudantes.

Foram definidos dois eixos internacionais de mobilização: por um lado, a luta contra a ocupação militar do Haiti, o que inclui a retirada imediata das tropas brasileiras que em outubro devem ter sua presença renovada. Por outro lado, a solidariedade com os trabalhadores bolivianos em sua luta contra a ultradireita fascista. Entendemos que só a mobilização pode conseguir esse objetivo, e não os acordos promovidos pelo governo Evo Morales.

No Brasil serão realizadas muitas e diversas mobilizações sindicais, estudantis e populares, que combinarão as reivindicações específicas com as antiimperialistas. Em Brasília, o funcionalismo federal vai realizar no dia 16 um ato público em frente ao ministério do planejamento por aumento geral dos salários, contra a criminalização dos movimentos sociais, pela redução da jornada de trabalho sem redução de direitos. Logo depois farão uma manifestação em frente ao Ministério das Relações Exteriores contra a presença das tropas no Haiti.

No dia 17, operários da construção civil de Belém vão promover um seminário contra a criminalização dos movimentos sociais, junto com o MST. Em Minas Gerais ocorrerão atos durante a semana que envolve o movimento popular e sindical. Estão marcados atos e possibilidade de greves em cidades do interior na categoria metalúrgica.

E no dia 16 de outubro, junto com a Semana Antiimperialista, ocorrerá uma série de mobilizações do MST em defesa da soberania alimentar.
É hora de os sindicatos e entidades estudantis e populares se integrarem na preparação dessa jornada.

Um encontro inédito… que pode ser histórico
O Elac foi um encontro muito representativo do movimento sindical, popular e estudantil à esquerda na América Latina. Logo em seu início, a Internacional foi cantada com muita emoção em castelhano, inglês, português, guarani e russo por delegados de 21 países.

O Elac foi inédito porque pela primeira vez houve um encontro latino-americano fora dos aparatos stalinista e social-democrata e da democracia cristã.

A social-democracia promove a CSI (a nova central mundial resultante da fusão da CIOSL com a CMT), que está ligada aos governos imperialistas europeus e norte-americano. O stalinismo (como o PCdoB no Brasil, com sua CTB) e o governo Chávez apóiam a Federação Sindical Mundial (FSM). No encontro da FSM de maio passado, se definiu um manifesto de apoio ao governo Lula. A obediência a esses governos burgueses impede que essas centrais realmente tenham iniciativa nas lutas dos trabalhadores.

O Elac pode ter sido um encontro histórico, caso consiga se construir na América Latina como uma alternativa real do movimento de massas. Já em seu primeiro encontro reuniu entidades e o que de melhor existe no continente no movimento de massas independente dos governos das frentes populares e nacionalistas burgueses.

Estavam lá as entidades que convocaram o encontro: a Conlutas do Brasil; Batay Ouvriyé, do Haiti; Corrente Classista, Unitária, Revolucionária e Autônoma (C-CURA), da Venezuela; Tendência Classista e Combativa (TCC), do Uruguai; Central Operária Boliviana (COB), da Bolívia; Mesa Coordenadora Sindical (MeCosi), do Paraguai.

A Batay Ouvryié é a principal organização de resistência à invasão militar do Haiti. A C-CURA é a expressão da reorganização pela esquerda do movimento sindical venezuelano, agrupando dirigentes sindicais de peso no país que se opõem ao governo Chávez. Recentemente realizou uma plenária nacional com cerca de 200 sindicalistas e está concorrendo à direção da federação petroleira.

A TCC expressa o início da reorganização sindical à esquerda da PIT-CNT, central sindical uruguaia que apóia o governo de Tabaré Vasquez, como a CUT apóia Lula. Recentemente a TCC conseguiu uma vitória importante, sendo fundamental para a extensão de uma paralisação proposta pela PIT-CNT de 2 para 24 horas no país, na primeira greve nacional do país depois da posse de Tabaré.

A MeCosi, recentemente fundada, representa 48 sindicatos, mais do que a maioria das outras centrais do Paraguai, e já está à frente das primeiras mobilizações do funcionalismo público contra o governo Lugo.

A direção da COB boliviana, a central sindical de maior tradição em todo o continente, não pôde estar presente, mas estiveram no Elac representantes do sindicato mineiro de Huanuni, de grande peso no proletariado boliviano.

Além dessas entidades, também participaram do Elac representantes da Federação Estudantil da Costa Rica (principal entidade da juventude desse país) e da CGT costarriquenha, além de dirigentes sindicais de peso em seus países como Roni Cueto (um dos principais dirigentes mineiros do Peru); Tarquino Cajamarca, do Congresso dos Povos do Equador, que liderou uma luta contra as petroleiras e foi perseguido pelo governo de Rafael Correa; e Antonio Vidal, representante da luta dos trabalhadores da previdência, que recentemente fizeram uma marcha com mais de 20 mil pessoas no México.

Agora, todos esses setores estão preparando mobilizações em seus países ao redor da semana antiimperialista de 12 a 18 de outubro.

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