Conlutas participa de manifestação em Minas Gerais contra a transposição do Rio São Francisco

O Rio São Francisco completou 504 anos de seu descobrimento nesta terça-feira, dia 4 de outubro. O povo ribeirinho tem pouco a comemorar e muito a se preocupar. Por outro lado, nessa data aconteceram manifestações populares e bloqueios de rodovias em diversas cidades ribeirinhas, em defesa da revitalização total do Rio São Franscisco, contra a Transposição e em solidariedade à greve de fome do Frei Dom Luiz Cappio.

Uma delas ocorreu na cidade de Pirapora, no norte de Minas Gerais, onde, segundo o jornal Hoje em Dia, cerca de 1.500 pessoas participaram de uma grande marcha. A concentração do ato foi pela manhã, ao lado da ponte Marechal Hermes, patrimônio histórico da cidade, onde aos poucos foram aglutinando-se metalúrgicos, sem-terra, servidores municipais, estudantes, ambientalistas e moradores.

Com faixas, cruzes e um caixão contendo uma réplica da espécie de peixe mais famosa da região – o surubim – os manifestantes foram caminhando em direção à ponte que liga as cidades de Pirapora e Buritizeiro, onde interromperam a rodovia BR-365 por cerca de uma hora e meia, causando um congestionamento de quilômetros. A manifestação denunciou também as grandes indústrias e latifundiários da região que poluem o rio, principalmente a Companhia Mineira de Metais (CMM), do Sr. Antonio Ermírio de Moraes, principal causadora da mortandade dos surubins, desde janeiro.

Essa manifestação contra a Transposição foi chamada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e foi organizada pelo Comitê de Luta do São Francisco, que conta com diversas entidades, sindicatos e movimentos sociais como o MST, GRAAL, Sindipira, Colônia de Pescadores de Pirapora e Buritizeiro, além do Sindicato dos Metalúrgicos de Pirapora, filiado à Conlutas, um dos grandes impulsionadores do movimento. O ato teve também a participação de representantes de outras cidades, como a ONG Cáritas, pescadores de Barra do Guaicuí, sindicatos de metalúrgicos de Três Marias, Vespasiano e Itaúna, ligados à Federação Metalúrgica de Belo Horizonte e à Conlutas, e com militantes do PSTU.