Conlutas define programa e chamado a mobilização

No momento em que se discutiu a conjuntura e as tarefas da Conlutas para o próximo período, os debates ficaram marcados pela resposta que a coordenação deverá dar a respeita da crise econômica. José Maria de Almeida, o Zé Maria, apresentou em nome da Secretaria Executiva da Conlutas uma carta que resumia a gravidade da crise e as tarefas da classe trabalhadora neste momento.

Na carta foi apresentado o programa da Conlutas para enfrentar a crise, na qual se destaca a luta contra as demissões e a exigência de estatização das empresas que demitirem trabalhadores. Além disso, o documento denuncia os pacotes bilionários do governo de ajuda aos grandes capitalistas, propõe a estatização do sistema financeiro sem indenização aos banqueiros, o controle do câmbio e proibição da remessa de lucros das multinacionais para seus países de origem. Como forma de garantir o emprego, a Conlutas propõe a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução de salários e direitos, entre outros pontos de programa (veja página 8).

A carta coloca a necessidade da unificação das organizações dos trabalhadores que estão no campo da oposição de esquerda ao governo Lula. A gravidade da crise econômica internacional, com impacto evidente no Brasil, coloca em outro patamar a necessidade da uma unificação orgânica destas organizações para enfrentar em melhores condições os ataques contra os trabalhadores.

Neste sentido, a Conlutas renova o chamado à fusão com a Intersindical e demais entidades e movimentos que estejam dispostos a organizar uma entidade nacional de luta, democrática, que organize de conjunto os trabalhadores, explorados e oprimidos. Uma entidade que seja independente dos patrões, de todos os governos e do Estado.

Chamado
A grande discussão, porém, ficou concentrada na parte da carta que chamava a CUT, a Força Sindical e a UNE a romper com o governo Lula e encampar uma luta unificada contra os ataques que serão desferidos à classe trabalhadora, tanto dos patrões como dos governos. A carta chama também de forma especial o MST a romper de vez suas relações com o governo federal, para ser parte fundamental desta unidade de ação em defesa dos trabalhadores.

Algumas das correntes que atuam na Conlutas, entre elas a FOS (Frente Oposição Socialista) e a CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores), não entenderam a importância deste chamado, afirmando que ele acabava jogando ilusões nos trabalhadores sobre o conteúdo governista e traidor da CUT e demais centrais.

Os militantes do PSTU, junto com outras correntes políticas e sindicalistas independentes, afirmaram que incluir este chamado na carta da Conlutas era fundamental para buscar a unidade com todos os que se disponham a ir à luta para defender os direitos dos trabalhadores – principalmente no momento da grave crise econômica que vem se instalando no país.

Da mesma forma, o chamado a estes setores para a luta unificada não é feito com ilusões de que as direções governistas venham a romper de fato com o governo Lula. Este chamado busca, em primeiro lugar, unir os trabalhadores na ação direta em defesa dos seus direitos. Mas serve também para desmascarar e disputar a base social daqueles que se negarem a travar uma luta unificada, preferindo ficar ao lado do governo e a favor dos ataques contra os trabalhadores.

Por outro lado, a carta apresenta o programa da Conlutas para enfrentar a crise, uma garantia de que não ficaremos a reboque de manifestações dos setores a favor do governo, e que estamos de fato a favor de realizar uma ampla unidade de ação para lutar contra os ataques aos trabalhadores, contra os patrões e o governo Lula. Ao final, por uma ampla maioria de votos, foi definida a aprovação da íntegra do texto da carta apresentada.

No ponto sobre conjuntura nacional foi aprovada também uma resolução política, construída coletivamente, que apresenta as principais tarefas imediatas da Conlutas para o próximo período. No calendário se destaca os atos nacionais do dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e a mobilização contra a realização da 10º Rodada de Leilão das reservas de petróleo, que o governo Lula pretende realizar no dia 18 de dezembro.

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