A conjuntura e a campanha eleitoral

E stamos perante o último mês de campanha eleitoral, num período em que novos elementos surgem na conjuntura, podendo ter ou não influência nas eleições.
Em primeiro lugar, a economia segue uma tendência de estagnação. O PIB, no segundo trimestre, teve um magro crescimento de 0,4%, incluindo uma queda de 2,5% na indústria. Isso confirma os reflexos da crise mundial sobre o país. O governo reage de duas formas: todo tipo de estímulos para as grandes empresas, todo tipo de dureza para os trabalhadores. Para as grandes empresas prorrogação da redução do IPI, redução dos juros para 7,5% (menor índice desde 1986). Para os trabalhadores dureza nas negociações salariais e preparação de uma nova reforma da Previdência e dos Acordos Coletivos Especiais (o ACE, uma reforma trabalhista disfarçada).

É provável que a situação econômica ainda não tenha reflexos diretos nas eleições por não ter se abatido uma recessão sobre o país. A política do governo ainda tem efeitos (mesmo que limitados) com uma frágil recuperação. Os problemas se acumulam, mas ainda não sacodem a consciência dos trabalhadores, embora já comece a haver certa percepção dos reflexos da crise mundial no Brasil.

Os ativistas dos movimentos sindical, estudantil e popular, no entanto, devem olhar para o mundo. Basta observar os ataques brutais contra os trabalhadores na Europa, o assassinato dos mineiros em greve pelo governo do CNA da África do Sul, para entender que o governo brasileiro irá pelo mesmo caminho se a crise chegar com tudo ao Brasil. Não podemos desconsiderar a dura postura de Dilma contra o funcionalismo e o fato de o governo não ter tomado nenhuma medida concreta contra as demissões dos metalúrgicos da GM de São José Campos (SP). A preparação de novas reformas da Previdência e trabalhista é uma ameaça concreta para depois das eleições como medida preventiva contra a crise.

Já o julgamento do mensalão, apesar de evidenciar brutalmente a corrupção do PT no governo federal, não aparenta ter os reflexos eleitorais esperados pela oposição de direita. Não existe, ao menos até agora, um fortalecimento do PSDB na disputa eleitoral. Ao contrário, José Serra pode estar caminhando para uma dura derrota em São Paulo.

Como reflexo nas massas, deve estar aumentando um cinismo generalizado do tipo “todos roubam”. Mas para os ativistas, vale uma conclusão obvia: o PT e o PSDB têm a mesma postura corrupta perante o aparelho de Estado. Roubam descaradamente, dando um péssimo exemplo para os trabalhadores.
Por outro lado, existe um ascenso sindical no país, com mais greves e mais radicalização nas lutas. A greve do funcionalismo federal foi a mais longa de todas contra os governos petistas. Apesar de ter modestos resultados econômicos, conseguiu uma vitória política por ter obrigado o governo a negociar, obrigando-o a deixar sua postura arrogante.

Isso tem uma enorme importância no momento atual, em que começam as campanhas do segundo semestre. Metalúrgicos, bancários, petroleiros, trabalhadores dos Correios e da construção civil tiram a conclusão de que podem conquistar reajustes com suas lutas. Estão se gestando novas greves caso a patronal e o governo não façam concessões importantes.

A greve do funcionalismo teve também consequências políticas. As pesquisas indicam uma queda de popularidade de Dilma nas capitais (menos 10% em São Paulo e menos 6% no Rio de Janeiro, entre maio e agosto). A queda foi maior entre os que ganham de cinco a dez salários mínimos e os acima de dez salários mínimos. Isso envolve o funcionalismo federal, assim como os setores de salários maiores do proletariado industrial. Aparentemente, a queda de Dilma não tem a ver com o julgamento do mensalão. A popularidade da presidenta é quase igual entre os que acompanham atentamente o julgamento e os que o ignoram. Essa queda é um primeiro reflexo ou das mudanças econômicas ou das greves.

Trata-se, ainda, de uma queda pequena de um patamar muito alto, limitada a um setor minoritário dos trabalhadores. Sim, mas é uma queda, e fruto das lutas. Dilma não é imbatível, e o governo saiu arranhado do duro enfrentamento com o funcionalismo.
Nas eleições, ainda não existem reflexos diretos das mudanças na economia, do julgamento do mensalão ou das greves. Os partidos da base governista e da oposição de direita estão lutando duramente pelo controle do aparato das prefeituras. Defendem o mesmo programa. Em muitas cidades, a disputa se polariza entre partidos da base governista.

Mas os ativistas devem também tirar suas próprias conclusões. A vitória do PT ou do PSDB vai fortalecer uma via política que atacará os trabalhadores depois das eleições. Se a base governista se fortalecer nas eleições, Dilma vai ter mais força para atacar os trabalhadores com suas reformas. Nas prefeituras, não vai ser diferente. Os novos prefeitos vão abandonar suas promessas no dia seguinte das eleições para falar em austeridade etc. A mesma coisa vai acontecer caso se fortaleça a oposição de direita. A burguesia vai cobrar com mais força de Dilma novos ataques aos trabalhadores.

Por esse motivo, o PSTU vai ter como um de seus eixos de campanha eleitoral o apoio às campanhas salariais desse segundo semestre. Fortalecer as lutas diretas é a maior contribuição que podemos dar ao avanço do proletariado.
Pelo mesmo motivo, pedimos o apoio e o voto de todos os que lutam. Não existe um voto útil no PT contra a direita. O voto útil é o voto que reforça sua luta, é o voto nos candidatos do PSTU.

A todos os que nos acompanham nas greves, queremos fazer o chamado para que nos apoiem também na luta eleitoral. E que venham conosco construir o PSTU, se filiando ao partido.

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