Congresso da CSP-Conlutas aprova chamado a encontro nacional de lutadores pela base

DIRETO DE VINHEDO

Na tarde deste sábado, o 4º Congresso da CSP-Conlutas que ocorre em Vinhedo (SP) aprovou um plano de lutas para o próximo período com destaque ao chamado a um encontro nacional de lutadores, pela base, a fim de armar a classe trabalhadora para os enfrentamentos contra os ataques do governo Bolsonaro-Mourão.

Foi o desfecho de um amplo processo de debates que se iniciou nos grupos desta sexta-feira e se estendeu ao plenário no sábado, na “Plenária de deliberação sobre os desafios do movimento sindical e popular”, quando oito resoluções foram apresentadas e votadas. A discussão expressou os diferentes pontos de vista que coexistem dentro da central, e também grandes acordos: como a necessidade de se incorporar fortemente o tema das opressões nas lutas e no cotidiano da CSP-Conlutas, e o chamado à unificação das lutas.

É fundamental que a CSP-Conlutas esteja de olhos bem abertos e braços bem erguidos junto à população negra que está se levantando nas favelas de todo o país“, defendeu Nina Ramos, da corrente sindical Mover e militante do MES, corrente interna do PSOL, que reforçou ainda a importância da luta contra o genocídio da juventude negra e, nessa perspectiva, contra o pacote anticrime de Moro que dá carta branca à polícia assassinar jovens pobres e negros.

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Debates
A partir desses pontos em comum, diferentes propostas e planos de ação se opuseram, como o apresentado pelo diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e militante da Transição Socialista, João Borghi, de campanhas salariais unificadas com a exigência da indexação de salários pela inflação e a divisão das horas de trabalho. Já o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Itaúna (MG), Marcelo, militante do MRS, defendeu que a central leve à base, inclusive da CUT, o chamado a uma greve geral por tempo indeterminado. O MRT, por outro lado, defendeu um através professora estadual de São Paulo, Maíra Machado, a proposta de “assembleia constituinte livre e soberana” como saída de classe às lutas contra as reformas.

Os delegados do Congresso aprovaram por ampla maioria as propostas apresentadas pelo Bloco Operário e Popular através de Luiz Carlos Prates, o Mancha, da Secretaria Nacional da CSP-Conlutas e do PSTU, e Wellington Cabral, do Sindicato dos Químicos de São José dos Campos e da corrente Unidos Para Lutar, militante do PSOL.

Segundo o texto aprovado, a “tarefa da nossa classe e de todas suas organizações é organizar a luta unificada, em defesa das nossas reivindicações, da soberania do país, do meio ambiente, das liberdades democráticas para derrotar o governo autoritário de Bolsonaro e seu projeto já, nas ruas, nas mobilizações e greves”. Ainda segundo a resolução, “o caminho para derrotar Bolsonaro não é desmontando e segurando as lutas; aceitando negociar a retirada de direitos e privatizações no Congresso, compondo Frentes Amplas, eleitorais e de colaboração de classes com a burguesia para 2020 e 2022. Unificar os setores em luta e as lutas é fundamental. A construção da Greve Geral segue sendo uma necessidade”.

Cabral reforçou a importância da luta para derrotar o governo. “É na luta que vamos derrotar o governo Bolsonaro e não no calendário eleitoral“, defendeu. Já Mancha propôs a realização de um encontro nacional pela base. “Hoje seria muito mais do que necessário, para enfrentar o governo Bolsonaro, que a classe trabalhadora e todas as suas organizações se unissem num grande encontro nacional unitário e de base, porque não é através do processo eleitoral, de negociações no Congresso Nacional, ou de acordos com os patrões como tem feito as direções das grandes centrais, que vamos derrotar o governo e a sua política“, disse.

Fazendo um duro balanço do papel nefasto cumprido pelas direções das grandes centrais, que traíram a luta dos trabalhadores como na reforma da Previdência, Mancha reforçou a importância de fortalecer a CSP-Conlutas como ferramenta de luta, até mesmo para lutar pela unidade de ação “em tudo o que for possível”. “Temos que defender a unidade na luta pelos direitos e as liberdades democráticas, mas não vamos vacilar quando traem nossa luta e se transforma num obstáculo“, afirmou.

A CSP-Conlutas, assim, precisa tomar em suas mãos a tarefa de batalhar pela unidade da classe trabalhadora, pela base e na luta. “Se as outras direções não topam fazer isso, nós mesmos vamos ter que fazer, e armar a nossa central significa armar esse tipo de luta, em direção a um encontro nacional para derrotar Bolsonaro e o seu projeto“, finalizou.