Chuva e omissão provocam mortes em Santa Catarina

Há mais de cem dias chuvas intensas castigam o estado de Santa Catarina. Pelo menos 64 pessoas morreram em desabamentos e enchentes. Mas o número pode aumentar. Autoridades anunciam socorro às vítimas. Pelo tamanho da tragédia, que já desabrigou mais de 40 mil pessoas e deixou várias cidades isoladas, percebe-se que estas medidas chegaram tarde e que havia pouco preparo para enfrentar a situação. Isso depois de 100 dias de chuvas. A Defesa Civil estima que mais de 1,5 milhão de pessoas tenham sido atingidas.

No domingo, 23/11, seguimos de ônibus rumo ao Paraná, pela BR101. Em Itajaí, uma das cidades mais atingidas, a rodoviária estava quase coberta d´água. Mulheres e crianças atravessam o estacionamento com água pelos joelhos. Algumas entravam que entravam no ônibus e contam que suas casas estão alagadas e que pretendem buscar refúgio com familiares, em outras cidades. À frente, mais destruição. Cidades debaixo d´água. Botes cruzam ruas e avenidas. Às vezes é difícil saber a diferença entre rio e mar.

Balneário Camboriú não sofreu grandes estragos. Os prédios e condomínios de luxo, vazios nesta época do ano, não estão inundados. Um pouco à frente, uma barreira e o alagamento da pista impedem o tráfego. Dezenove trechos de rodovias estaduais e federais estão interditados. Na rodoviária de Camboriú, as pessoas se preparam para passar a noite. É impossível não lembrar dos prédios de luxo, secos e vazios.

Na hora do almoço já era possível retornar a Florianópolis, mas uma das mulheres que estava no ônibus, grávida de nove meses, foi obrigada a vender sua passagem para dar de comer aos três filhos. Foi deixada pra trás, sem dinheiro e com dores na barriga. Uma das muitas histórias de abandono enfrentada, sobretudo, pela gente mais pobre.

A tragédia não pode ser apenas atribuída à impetuosidade das “forças da natureza”. Era possível evitar uma boa parte do desastre. Ao menos minimizar os impactos desta tragédia. As autoridades tiveram cem dias para remover a população de áreas de risco e mobilizar infra-estrutura para atender os desabrigados. Mas cem dias de chuva não bastaram para que governantes agissem e só resolveram fazer alguma coisa quando era tarde demais.
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