Chirac proíbe o véu e mostra a cara

Mulher muçulmana com véu islâmico

O governo francês diz defender o princípio democrático da separação Igreja-Estado. Mas por que isso agora?Apesar de defendermos o direito de cada um professar a religião que queira e usar seus símbolos, não somos passivos. Como marxistas, somos contra os ritos religiosos que oprimem e humilham as pessoas, subordinando-as à ordem existente. Por isso somos contra o véu e também as práticas obscurantistas que caracterizam algumas religiões e as levam a cometer barbaridades. Como, por exemplo, a campanha da Igreja Católica contra o aborto, a biogenética e o uso da camisinha (que evitaria a devastação de regiões inteiras na África pela Aids).

Perseguição contra os muçulmanos

Num momento em que o imperialismo trava uma guerra contra o Iraque pelo controle de seu petróleo, a atitude da França, antes de qualquer coisa, é uma atitude política que colabora para aumentar o preconceito contra os povos muçulmanos.

A lei não proíbe apenas o véu, mas símbolos religiosos ostensivos. No entanto, as muçulmanas são as mais afetadas, porque são obrigadas pelo Corão a usar o véu. O véu islâmico é um elemento tradicional da cultura muçulmana. A proibição de seu uso tem a ver com a política do imperialismo de integrar os muçulmanos ao restante da população ou dar a eles uma identidade cultural puramente francesa.

A esquerda francesa em geral está a favor do governo. Isso é uma vergonha, porque não se trata de defender a liberdade da mulher. O que o imperialismo faz é buscar quebrar a resistência dos povos árabes, atacando seus símbolos.

A esquerda e as feministas estão se deixando enganar. Com a lei, não virá a liberdade tão sonhada. Trata-se de usar um problema secular da relação mulher-religião contra os muçulmanos. Hoje, a França tem a maior comunidade muçulmana da Europa, cerca de cinco milhões de pessoas. Inclusive, grande parte da classe operária francesa mais combativa é formada por trabalhadores argelinos e de outros países islâmicos. É contra eles que vem essa lei.

A luta deve ser das próprias mulheres muçulmanas

É muito difícil que uma menina usando o chador (véu) na escola prejudique a separação Igreja-Estado. Esse é apenas o álibi do governo francês para justificar uma campanha internacional contra tudo o que tenha a ver com os países árabes e os povos muçulmanos. Os muçulmanos têm sido vítimas de todo tipo de preconceito e humilhação. São sempre os primeiros suspeitos e barrados em aeroportos, como acaba de acontecer com o cantor Cat Stevens, por ser muçulmano. Agora, o governo francês posa de guardião dos direitos humanos.

Dentro das escolas francesas, as mulheres muçulmanas encontrariam a igualdade de gênero. Mas se enganam aqueles que acreditam nisso. Serão as próprias mulheres muçulmanas, com suas lutas, que irão se conscientizar e superar suas travas, e não um governo imperialista que irá libera-las. Acreditar nisso é o mesmo que achar que os EUA invadiram o Afeganistão porque estavam preocupados em liberar as mulheres das burcas impostas pelo Taleban.

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