Chevron: escândalos, mentiras e fraudes

A quantidade de mentiras que a Chevron contou, em virtude do desastre na costa brasileira, mostra o desprezo que tem pelo povo brasileiro e o desrespeito pelo governo de Frente Popular de Dilma Rouseff.

Protagonista de um dos maiores desastres ambientais da história brasileira, o presidente da petroleira não teve vergonha em apresentar falsas desculpas para iludir quem busca uma justificativa.

O caso esteve repleto de omissão de informações e inverdades, em um claro atentado à soberania nacional, diante de uma tentativa de explorar o petróleo pré-sal sem autorização.

Coleção de mentiras
1- O acidente aconteceu no dia 7 de novembro, com o início do vazamento de petróleo. Mas somente dia 12 a Chevron apresentou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) um plano para fechar o poço e acabar com o vazamento;

2- A empresa que descobriu o vazamento foi a Petrobras. O robô da Chevron tem capacidade limitada de atuação a uma profundidade de 1.200 metros. Foi a estatal que emprestou à petrolífera americana equipamentos mais modernos para que ela pudesse pôr em prática seu plano de contenção.

3- Aprovado no dia seguinte, ele seria implementado a partir do dia 16. Mas a Chevron não disse que para a execução do plano dependia de um equipamento que só chegaria dos Estados Unidos no dia 21. Objetivo: economizar custos.

4- A Chevron informou em nota oficial, que “devido às ações de resposta e às condições do tempo, o tamanho da mancha, nesta terça-feira (22 de novembro), é de cerca de dez barris”. A mentira era tamanha que nem a submissa ANP engoliu, e informou que área da mancha é de 2 km² e extensão de 6 km.

5- A Chevron editou imagens submarinas para entregar a ANP para fingir o fechamento do poço, com o objetivo de iludir as autoridades brasileiras.

6- A Chevron ainda esconde que sorrateiramente pretendia perfurar o pré-sal. O próprio delegado da Polícia Federal, Fabio Scliar, declarou que acha estranho que a Chevron tenha sondas capazes de buscar petróleo a 7km de profundidade, sendo que o poço em que houve o acidente era “raso”, de 1,2km.

7- Além disso, a pressão do óleo era incompatível com uma perfuração tradicional a 1.200 metros de profundidade. A Chevron, sem permissão da ANP e do governo brasileiro, tentava atingir a camada mais profunda do pré-sal.

8- Agora a empresa busca minimizar os danos. Informando que a mancha esta se afastando da costa (no que foi apoiada pela ANP), mas o Secretário Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, afirmou, no mesmo dia, que o óleo pode chegar às praias em duas semanas.

9- A Chevron diz que o óleo esta se dissipando e que parte dele sobe para a superfície do mar e evapora. Mas ela não diz que outra parte, o óleo mais grosso, fica no fundo do oceano, e se agrupa em pelotas. Técnicos do Ibama informaram que mais de dois terços do óleo ainda estão abaixo da água.

10- Quando se empelota, o óleo se transforma em “bolas de piche” que vão aparecer nas praias de Arraial do Cabo, de Angra dos Reis e Ubatuba, em algumas semanas.

11- A Chevron diz que fez o possível para realizar a contensão do vazamento. Mas David Zee, perito responsável por averiguar o vazamento de petróleo no Campo de Frade explica que, 48 horas depois do acidente, “um grande número de embarcações deveria cercar o óleo para retirá-lo do mar. Mas isso não aconteceu”. A Chevron não seguiu os itens do plano de estratégia e emergência “ela pulou imediatamente para o último deles, e passou a dispersar o óleo no mar”.

12- A Chevron anunciou um vazamento na Bacia de Campos de 2,4 mil barris de petróleo, mas as autoridades do Rio de Janeiro apresentem outro número: 15 mil barris.

Escândalos
David Zee, disse ser impossível saber quanto óleo vazou no mar e, portanto, quais serão os danos para o meio ambiente.

Para os representantes da Colônia de Pescadores Z-2, o óleo já atingiu a cadeia alimentar e existe a possibilidade de um impacto na pesca da região de São João da Barra. Aproximadamente 15 mil famílias de Macaé, no norte fluminense vão ser prejudicadas pelas consequências do vazamento de óleo. Os pescadores que trabalham em alto-mar vão ter prejuízos maiores. Mas os que ficam por perto da costa também correm sérios riscos pela contaminação dos peixes.

Com isso, os prejuízos vão atingir toda a cadeia produtiva, até o pequeno comerciante que vai de bicicleta vender o pescado nas comunidades. Os pescadores dos estados do Texas, Louisiana e Mississipi ficaram temporadas inteiras sem trabalhar em virtude do desastre petrolífero na costa dos Estados Unidos.

O derramamento pode prejudicar mais de 20 espécies de animais, entre baleias, golfinhos e aves que usam a Bacia de Campos como caminho migratório. Baleias jubarte nadam pela costa brasileira anualmente, entre os meses de julho e dezembro. A contaminação pode gerar, nos animais, problemas de pele, olhos e respiratórios. Elas precisam vir à tona para respirar e podem ingerir esse óleo. O contato com a pele também pode interferir no isolamento térmico deles e afetar os filhotes, que têm ainda menos proteção.

Como se isso não bastasse, há denuncias com a Chevron de utilização de trabalho ilegal e de péssimas condições trabalhistas e de segurança dos funcionários da petrolífera.

E para culminar a lista de escândalos a Chevron foi pega pela ANP produzindo clandestinamente gás sulfídrico (H2S) em um dos 11 poços que explora no Campo de Frade. A substância é veneno para o trabalhador, mata se for inalada em alta concentração. A empresa deveria ter informado a ANP a respeito da produção, que exige avaliações de risco que não foram feitas.

Sejam pelos crimes ambientais, que são inafiançáveis, e o não cumprimento das normas trabalhistas nacionais, os gerentes da Chevron no Brasil deveriam ir para cadeia até o final das investigações e do inquérito Policial Federal, pois há risco de fugirem do país e de influenciarem, com seu poder econômico, nas investigações.

Inoperância
Em 20 de abril de 2010, um poço de petróleo explodiu a 1.500 m abaixo do nível do mar, causando a morte de 11 operários da plataforma da British Petroleum, no Golfo do México. Quem trabalhava lá? Além da BP, a Transocean e a Halliburton – todas atuando no Brasil-, em parceria com a Chevron.

E agora, para não pagar as multas a British Petroleum acusa a Halliburton de destruir intencionalmente evidências para dissimular no desastre, e esta diz que a BP esta mentindo. Imaginem essa história no Brasil.

A British Petroleum demorou mais de seis meses para dispersar a mancha de óleo, que atingiu o litoral de quatro estados americanos, e deixou claro que essas multinacionais não têm capacidade nem de deter os acidentes, tampouco conter de maneira rápida o óleo que vaza.

O governo brasileiro demorou em agir, não se indignou com “mentiras” e se limitou a “puxões de orelha” na direção da Chevron. As multas podem chegar no Maximo a R$ 300 milhões de reais, extremamente baixas, comparadas aos US$ 22 bilhões de dólares que a BP foi obrigada a pagar nos Estados Unidos, ou os US$ 8 bilhões de dólares aplicados pelo Equador, em fevereiro, contra a mesma Chevron, que faturou, somente no ano passado, US$ 200 bilhões de dólares.

A nposição burguesa – do DEM e ao PSDB – não deu grande atenção às fraudes da Chevron. Para eles, o mais graves foram às mentiras do ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que teria cometido crime de responsabilidade por ter mentido.

Também não propuseram nenhuma “CPI da Chevron”, como fizeram contra a Petrobras em 2009. Afinal, confiam nesta empresa e querem manter boas relações com as petroleiras no pré-sal.

Punição deve ser exemplar
O fato é que a Chevron protagonizou um crime ambiental grave e condenável, resultado de um regime capitalista que, apoiado na geração de lucros obscenos e imediatos põe em risco o futuro das novas gerações. A continuar assim novos desastres virão.