Chamado dos Trabalhadores da GM (Brasil)

Correio Internacional: Um chamado à luta contra as demissões e ataques das montadoras de veículos em todo o mundoTemos assistido à evolução da crise econômica internacional e à política dos patrões e seus governos em todo o mundo. Bilhões e bilhões de dólares de dinheiro público sendo liberados para as empresas, enquanto para os trabalhadores o discurso é de demissões e necessidade de abrir mão de nossos direitos e aceitar redução de salários.

Isso é inadmissível. Não fomos nós que fizemos essa crise. Quem tem que pagar por ela são os poucos que durante anos dividiram lucros e bônus entre eles, ao mesmo tempo em que com administrações irresponsáveis e fraudulentas preparavam a crise que está aí.

Nós trabalhadores, ao contrário, produzimos em ritmos de superexploração, adquirimos doenças ocupacionais, vimos nossos salários e direitos sendo questionados, fábricas sendo fechadas e transferidas. Tudo em nome da redução de custos e de garantir a estabilidade das empresas.

Agora não podemos admitir que os que se enriqueceram mais ainda e provocaram a crise abocanhem milhões e milhões do dinheiro público, enquanto anunciam planos para jogar milhares de famílias na miséria com seus planos mundiais de cortes e a exigência de que aceitemos reduções de salários e direitos.

Os governos e as empresas ainda tentam nos jogar uns contra os outros. Mostram os salários dos trabalhadores de um determinado país para exigir a redução do salário de outros. Promovem chantagem vergonhosa com nossos empregos.

Infelizmente, alguns sindicatos e centrais sindicais pelo mundo têm aceitado essa lógica. Isso nos leva à divisão e à fragmentação. Os únicos que têm a ganhar com isso são os que nos exploraram de maneira brutal nos últimos anos e agora querem preservar suas fortunas com dinheiro público e que nós paguemos a conta.

Temos que dizer não. Nenhuma demissão e redução de direitos ou salários. Redução da jornada de trabalho. Que quem fez a crise que pague por ela com suas fortunas acumuladas.

Um chamado a uma jornada internacional contra as demissões e redução de direitos e salários. As montadoras têm anunciado planos mundiais de reestruturação. Estão ocorrendo mobilizações, greves e manifestações em vários países. Diante de um ataque mundial, é preciso construir uma resposta mundial unificada.

É necessário aprofundarmos a iniciativa que os trabalhadores da GM da Europa tiveram nos últimos dias, ao construir um dia de paralisação e manifestações em defesa dos empregos. No Brasil, estamos construindo um dia de paralisações e manifestações para o 1º de abril.

Nós, metalúrgicos de São José dos Campos, trabalhadores da GM do Brasil, fazemos um chamado aos companheiros das montadoras de todo o mundo. Organizemos um dia de greve internacional com a bandeira da defesa dos nossos empregos, salários e direitos, que os ricos paguem pela crise.

Trabalhadores da GM: chega de divisão, enfrentar a crise com unidade e luta em defesa dos empregos e de nossos direitos e salários.

Queremos fazer um chamado especial aos trabalhadores da GM das várias plantas em todo o mundo. As negociações em curso até o momento, promovidas pelas centrais e pelos sindicatos, só aprofundam nossa divisão e ajudam a empresa a manter sua política de ataque a nossa classe e continuar arrancando dinheiro público por todo o mundo para manter seu patrimônio.

É preciso mudar esse quadro. Por isso, nós trabalhadores da GM, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a Conlutas (central sindical e popular do Brasil), chamamos os trabalhadores, seus sindicatos, comissões de fábrica e ativistas a construirmos uma reunião internacional, onde possamos discutir um plano de lutas unitário para enfrentarmos a crise internacional, defender nossos empregos, direitos e salários sem virarmos reféns das chantagens promovidas pelos que sempre nos exploraram.

Trabalhadores da GM de São José dos Campos

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) – Brasil

Elac (Encontro Latino-Americano e Caribenho de Trabalhadores)

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