Centrais sindicais protestam contra demissões na portaria da Embraer

Detalhe de operário da Embraer presente no ato
Diego Cruz

Empresa recorre da decisão, mostrando que só a luta pode garantir definitivamente a reintegração dos demitidosA manifestação ocorrida horas depois da liminar anulando as demissões na Embraer mostrou que a luta não terminou. A vitória, embora parcial, é importante, mas só a intensificação das mobilizações pode garantir a reintegração definitiva dos 4.200 trabalhadores demitidos pela empresa no último dia 19.

Esse foi o sentido das falas das diversas centrais sindicais reunidas no protesto em frente à portaria da Embraer, na tarde do dia 27 de fevereiro. Mesmo sob a chuva que teimava cair em São José dos Campos, interior de São Paulo, cerca de 400 ativistas e seis centrais se reuniram para comemorar a liminar e garantir a continuidade das manifestações.

Além da Conlutas, estiveram presentes a Força Sindical, Intersindical, CTB, UGT e a Nova Central Sindical. A CUT foi a grande ausente, tendo sua presença limitada a poucos cabos eleitorais da chapa com que disputam as eleições do sindicato.

No momento do ato ocorria a troca de turno dos trabalhadores, com os ônibus chegando à portaria da empresa. Apesar da vitória, o clima na entrada ainda era de apreensão. A presença ostensiva da polícia tentava intimidar. “A Embraer deve ter dito aos que ficaram que os seus empregos estão garantidos, isso é mentira, assim como demitiram mais de 4 mil, podem mais embora, só a mobilização pode assegurar os empregos”, afirmou Wagner Gomes, presidente da CTB.

Exemplo de unidade
As várias cores das bandeiras presentes no ato sinalizavam a ampla unidade conquistada na manifestação. “Essa unidade é um exemplo que temos que estender para o resto do país, na luta contra as demissões e os efeitos da crise sob os trabalhadores“, afirmou José Maria de Almeida, o Zé Maria, da Executiva da Conlutas.

Zé Maria denunciou os benefícios garantidos ao governo às empresas, enquanto os trabalhadores amargam demissões e tem seus direitos retirados. “Até agora o governo deu mais de 300 bilhões às empresas, para elas demitirem, o que exigimos aqui é que o governo tome uma medida concreta para que se proíbam as demissões, não aceitamos o que o governo disse à Embraer, que não há nada o que se fazer”, disse.

“Se a empresa continuar a demitir, vamos à Justiça pedir a prisão da diretoria da Embraer”, defendeu o presidente da Força, Paulinho Pereira, que parabenizou o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a Conlutas pela liminar.

Já Dirceu Travesso, da Conlutas São Paulo, atacou a privatização da Embraer e defendeu a reestatização da empresa como única forma de garantir em definitivo os empregos. “Precisamos corrigir a falcatrua que foi a privatização”. Ele também defendeu a continuidade da luta. “Essa vitória nos dá mais força e tempo para organizarmos a resistência”.

Por fim, o dirigente parabenizou em nome da Conlutas os metalúrgicos da Embraer e o Sindicato dos Metalúrgicos, “cuja direção não saiu de forma estabanada entregando os direitos dos trabalhadores com os primeiros sinais de crise econômica”.

Próximos passos
A Embraer já avisou que vai recorrer da decisão judicial que anulou as demissões. Por isso, agora é hora de aumentar as mobilizações. Na próxima terça-feira, dia 3, ocorre nova assembléia com os demitidos da empresa. Na quarta-feira, dia 4, tem ato em Brasília, a fim de pressionar o governo a fim de que tome uma medida contra as demissões.