Caseiro diz que Palocci era tratado como ‘chefe´ por corruptos

A mídia e setores da própria oposição de direita se esforçam como podem para segurar a onda de denúncias que recai sobre o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. No dia 9 de março, o delegado seccional de Ribeirão Preto (SP), Benedito Antonio Valencise, prestou depoimento à CPI dos Bingos e afirmou existir indícios de vários crimes cometidos pelo então prefeito da cidade, como falsidade ideológica, formação de quadrilha e peculato.

“O chefe tá chegando”
Como se isso não bastasse, outro depoimento, desta vez do motorista Francisco das Chagas da Costa, complicou mais a vida do ministro. O motorista afirmou que Palocci estivera várias vezes numa mansão alugada em Brasília por seus assessores, apontada como ponto de encontro para coordenar a partilha do mensalão. Apesar de o Ministério da Fazenda ter negado em nota o fato, a entrevista do caseiro da mansão publicada pelo jornal Estado de S. Paulo no dia 14 de março desmente a versão oficial.

Segundo o caseiro Francenildo Costa Santos, Palocci era assíduo freqüentador da mansão, localizada no Lago Sul, região nobre de Brasília. Entre os demais visitantes da mansão estavam Rogério Buratti e Ralph Barquete, ex-assessores do prefeito em Ribeirão Preto, o atual assessor do ministro, Vladimir Poleto, e seu secretário particular, Ariosvaldo da Silva. O caseiro afirmou que ter presenciado diversas vezes o assessor do ministro com malas recheadas de notas de R$ 100 e R$ 50. Na mansão, era proibido pronunciar o nome de Palocci, que era chamado apenas de “chefe”.

Além da partilha do mensalão, a mansão também seria utilizada para a realização de festas com prostitutas, algumas vezes fornecidas pela cafetina Jeane Mary Corner. Palocci ordenaria ainda que as luzes externas da mansão fossem apagadas, para evitar ser reconhecido.

Blindagem
Apesar das denúncias que se avolumam rapidamente contra Palocci, a blindagem que se fecha em torno dele não parece arrefecer. Grandes jornais e a própria TV Globo se esforçam para abafar o caso. Para se ter uma idéia das forças que sustentam Palocci, quando o delegado de Ribeirão prestava depoimento à CPI em Brasília, o ministro, de Londres, telefonou para o presidente do Bradesco, Lázaro Brandão, que acionou pessoalmente os líderes da oposição do senado.

Os banqueiros temem toda mudança da condução da política econômica do governo Lula, a mesma que tem conferido ao setor sucessivos lucros recordes. Apesar de um setor da oposição de direita exigir da boca pra fora a substituição do ministro, utilizando o caso para desgastar eleitoralmente o governo, os banqueiros parecem não querer reviravoltas na equipe econômica de Lula.