Carta aberta da Conlutas aos trabalhadores,à juventude e a todas as suas organizações

Confira abaixo a carta aprovada na reunião da coordenação nacional da Conlutas.Vivemos um momento de grande incerteza em todo o mundo. Estamos diante de uma crise da economia capitalista de dimensão histórica com conseqüências profundas para os trabalhadores e povos de todo o planeta. Não é uma crise apenas do mercado financeiro. Trata-se de uma crise clássica do capitalismo, originada pela diminuição da taxa de lucros dos grandes monopólios. Para revertê-la o capital vai destruir forças produtivas, fechar fábricas, promover o desemprego de milhões, elevando ainda mais o patamar de miséria e a violência que este sistema já impõe aos trabalhadores (…).

E a história já nos ensinou que o capitalismo, para sair de crises como a atual, precisa elevar a um patamar ainda superior o grau de exploração e barbárie que pratica contra os trabalhadores. Para isso conta com os governos, sempre submissos aos interesses do capital, e com o Estado que só protege o interesse dos poderosos nesta sociedade em que vivemos. Nosso país não é exceção nessa regra. As primeiras medidas adotadas pelo governo Lula demonstram claramente isso. Já foram mais de 160 bilhões de reais para socorrer os banqueiros e grandes empresas. Recursos que o governo alegava não existir quando se tratava de impulsionar a reforma agrária, construir moradias populares, investir nos serviços públicos de saúde, educação, ou seja, para socorrer os trabalhadores.

Estamos, então, frente à ameaça concreta de mais desemprego, para muitos milhões de trabalhadores; redução do valor real dos salários e aposentadorias; destruição dos serviços públicos; eliminação de direitos sociais e trabalhistas; abandono ainda maior da legião de deserdados que hoje vivem como podem na periferia dos grandes centros urbanos.

As férias coletivas concedidas por dezenas de empresas nos últimos dias, a redução da produção e dos planos e de investimentos anunciados pelo setor automobilístico, pela Vale, pelo setor de celulose, etc, indicam claramente o que está por vir.

SÓ A LUTA PODE EVITAR QUE OS TRABALHADORES PAGUEM PELA CRISE
Nós podemos, se nos unirmos e lutarmos, impedir que os patrões elevem ainda mais o grau de pobreza, miséria e violência contra a classe trabalhadora. A nossa luta pode construir uma outra saída para esta crise; uma saída onde não só possamos impedir uma maior degradação de nossas condições de vida, mas onde possamos também avançar na superação do próprio capitalismo (…).

UM PROGRAMA PARA A NOSSA LUTA
Os patrões e o governo Lula tomam medidas para que sejamos nós, os trabalhadores, a pagarmos o preço desta crise. Nós apresentamos outra saída, uma saída dos trabalhadores, para que sejam os ricos, os grandes capitalistas os que arquem com as conseqüências de sua ganância (…).

Este é o sentido do programa que apresentamos, conclamando os trabalhadores à luta para torná-lo realidade, enfrentando os patrões e cobrando do governo Lula a adoção das medidas aqui propostas:

OS BANQUEIROS E EMPRESÁRIOS DEVEM ARCAR COM O CUSTO DE SUA GANANCIA

• Nenhuma ajuda para banqueiros e especuladores;

• Estatização sem indenização, e sob controle dos trabalhadores, de todo o sistema financeiro;

• Estabelecimento de controle de capitais pelo Banco Central, para impedir a fuga de recursos do país. Proibição de remessa de lucros pelas multinacionais;

• Não pagamento das dívidas externa e interna;

OS TRABALHADORES NÃO DEVEM PAGAR PELA CRISE
• Estabilidade no emprego; Estatização, sem indenização, das empresas que promoverem demissões ou que encerrarem suas atividades; Os trabalhadores devem ocupar as fábricas e empresas que fecharem ou demitirem em massa;

• Redução da jornada de trabalho, sem redução de salários e de direitos;

• Aumento geral do valor dos salários e aposentadorias; Reajuste automático conforme variação inflacionária;

• Salário igual para trabalho igual; Fim da discriminação contra mulheres e negros nos locais de trabalho; Salário mínimo do DIEESE;

• Não ao corte de verbas das áreas sociais; Manutenção e ampliação dos direitos sociais e trabalhistas; Contra a reforma da Previdência e Trabalhista; Contra as Fundações Estatais (privatização da saúde e da educação);

• Plano de obras públicas (moradias populares, escolas, hospitais, saneamento, etc) financiadas com recursos que eram usados para pagamento das dívidas externa e interna, para melhorar a vida das pessoas e gerar empregos;

• Reforma agrária sob controle dos trabalhadores do campo.

UM CHAMADO À UNIDADE PARA A LUTA
Frente a um desafio desta envergadura é mais que necessário unirmos todas as forças da classe trabalhadora para a luta. O agravamento da crise deve fazer surgir, mais uma vez, vozes propondo alguma forma de pacto social entre trabalhadores, patrões e governos (câmaras setoriais e outros). Tentarão convencer os trabalhadores de que “todos devemos fazer sacrifício para superar a crise”. Na verdade, este discurso serve para tentar justificar os ataques que patrões e governos tentarão promover contra nossos direitos. Devemos rechaçar qualquer pacto com os patrões e o governo. A unidade que precisamos é a unidade dos trabalhadores para lutar contra os efeitos da crise econômica e contra a política dos patrões e do governo.

Chamamos as organizações da esquerda que estão no campo da luta dos trabalhadores – a Intersindical, o MTST, a CNESF, a Conlute, a Frente de Luta Contra a Reforma Universitária, etc – a construirmos uma sólida unidade para a luta em defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores frente à crise; contra as empresas, os bancos e contra o governo Lula, seu fiel escudeiro. Podemos e devemos construir uma plataforma comum para esta unidade (…).

Chamamos o MST, com a importância que tem como movimento social para todo o país, a romper de vez com os laços que ainda o ligam a este governo para somar-se plenamente à luta, não só pela reforma agrária, mas também em defesa das bandeiras comuns a toda a classe trabalhadora. Chamamos também a CUT, que neste momento soma-se ao governo para dizer que não há crise, a CTB, a Força Sindical, a UNE, a que rompam com o governo e venham construir a unidade em defesa dos interesses imediatos dos trabalhadores e da juventude contra os efeitos da crise econômica.

Construamos em comum uma plataforma unitária e somemos nossas forças na luta.
Esta é a necessidade da classe trabalhadora neste momento grave em que vivemos. É, portanto, esta uma obrigação a que nenhuma organização representativa dos trabalhadores e da juventude pode fugir.

Brasília, 12 de novembro de 2008

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