Carta aberta ao P-SOL

Publicamos abaixo a versão integral da carta ao P-SOL assinada pela direção do PSTU. O documento faz um chamado à unificação das lutas contra a reforma e a construção de uma frente eleitoral classista e socialista para 2006Todos sabem que temos diferenças, programáticas e de concepção, com seu partido. Mesmo com essas diferenças, podemos e devemos ter pontos de unidade, e saber valorizá-los.

A unidade na luta contra as reformas: romper com a CUT e a UNE, construir a Conlutas

Uma das propostas que queremos discutir com vocês é a unidade nas lutas concretas contra o governo. Agora está na ordem do dia a luta contra as reformas Sindical, Trabalhista e Universitária, que tem uma enorme importância para o futuro dos trabalhadores e jovens deste país. A Conlutas está implementando um plano de lutas nacional contra essas reformas.

Isso significa, em primeiro lugar, levar o esclarecimento sobre as reformas para as bases, com panfletagens, palestras, debates, para fazermos um contraponto à campanha de mídia do governo. Em segundo lugar, queremos propor a vocês, assim como à esquerda da CUT e a todos os setores do movimento, a realização de atos de Primeiro de Maio contra as reformas. Além disso, vamos unificadamente para uma semana de mobilizações em maio, com paralisações, bloqueios de estradas, atos de rua, etc. Acreditamos que exista uma ampla possibilidade de ações comuns e que nada justificaria deixar de lutar unificados por uma causa justa.

Parte dessa discussão é a necessidade da ruptura com a CUT e a construção da Conlutas. Há setores do P-SOL que estão engajados conosco neste projeto e outros setores que ainda se mantêm na defesa da CUT. A posição das entidades do funcionalismo público (Fenasef, Fenasps e, agora, o Andes) pela ruptura com a CUT demonstra a importância desta discussão.

O argumento de que é preciso permanecer na CUT para disputar sua base não corresponde à realidade. Ao contrário, para disputar a base, é necessário construir uma alternativa nacional, por fora da CUT, para evitar que sejamos derrotados. As duas grandes manifestações contra as reformas do governo (os atos em Brasília de 16 de junho e 25 de novembro) foram articuladas por fora da CUT. A grande greve dos bancários foi deflagrada e durou um mês porque houve uma rebelião de base contra a direção, e existiu uma oposição bancária organizada nacionalmente (que apóia a Conlutas).

A ruptura com a CUT é de massas e tende a crescer. Quanto mais lutas, mais choques com o governo e a CUT, mais rupturas vão surgir. Contudo elas podem acabar se dispersando, ou ser capitalizadas pela direita, caso não se construa uma alternativa. Por isso, a Conlutas tem uma enorme importância e está se impondo com muita força, apesar de todos os bombardeios que tem sofrido.

Não corresponde à verdade a idéia de que a Conlutas ‘é coisa do PSTU’. Não por acaso, entidades nacionais do funcionalismo, como Andes, Unafisco, Sinasefe, assim como setores do P-SOL e do PT, participam de sua direção. Trata-se de uma iniciativa de frente única, que tende a crescer cada vez mais.

Da mesma forma, acreditamos que os companheiros, além de uma luta unitária contra a reforma Universitária, devem romper com a UNE governista e vir ajudar a construir a Conlute.

Estamos, mais uma vez, chamando vocês, a se integrem a este processo, ajudando a construir uma alternativa unitária de esquerda à direção da CUT e da UNE, para as lutas concretas dos trabalhadores e da juventude.

unidade também no campo eleitoral: uma frente de esquerda, socialista e classista
Vocês sabem que nós priorizamos as lutas diretas e não as eleições. Acreditamos que uma estratégia eleitoral é um caminho certo para a derrota dos trabalhadores. Isso não significa que não damos importância tática para as eleições, mas sempre priorizando as ações diretas dos trabalhadores e da juventude.

Acreditamos que, também a questão eleitoral, deve expressar-se à unidade da esquerda que luta contra o governo, dos ativistas das greves, mobilizações estudantis e populares, dos que levam adiante as lutas contra as reformas. Para isso, é necessário aliar a expressão destes movimentos sociais com os partidos de esquerda socialistas, como o P-SOL e o PSTU. A candidatura de Heloísa Helena pode ser muito importante, desde que se tenha a paciência necessária para discutir o programa, suas relações com os movimento sociais e suas alianças.

É necessário construir uma frente de esquerda, socialista e classista, com um programa com as bandeiras tradicionais do movimento de massas:

• Oposição ao governo Lula
• Abaixo as reformas neoliberais do governo e do FMI
• Ruptura com Alca e FMI. Não pagamento da dívida externa
• Só a luta muda a vida
• Apoio às lutas dos trabalhadores de todo o mundo!
• Todo apoio à resistência iraquiana e à Intifada! Fora as tropas brasileiras do Haiti!
• Em defesa de uma reforma agrária ampla, sob controle dos trabalhadores
• Por um plano econômico anticapitalista para enfrentar o desemprego e a miséria

As discussões que vocês estão estabelecendo com o PDT apontam para outra direção. São negociações que não incluem apenas “alguns dirigentes”, mas, simplesmente, Carlos Lupi, atual presidente do PDT, e a maioria de sua direção. Para mostrar a importância dessa negociação, Heloísa Helena esteve no Encontro nacional do PDT, no fim de 2004, e afirmou: ‘Aqui no PDT, assim como em outras poucas organizações que sobrevivem, estão os que não se dobram, os que não se curvam, os que não se ajoelham covardemente’.

Foi assim que Heloísa Helena caracterizou esse partido que não tem relação com a luta pelo socialismo. O PDT é um partido burguês, tradicional representante do populismo, ligado a setores distintos da patronal em cada estado. Em São Paulo, participam da administração de José Serra. Hoje, o PDT está apostando em uma aliança nacional com o PPS para as eleições de 2006.

Uma aliança do P-SOL com o PDT seria uma ruptura de um campo de classe, socialista e de esquerda, que poderia viabilizar uma alternativa eleitoral unitária.

Heloísa Helena, no encontro do PDT, declarou: ‘Espero que a gente consiga caminhar juntos! Mas, independente de qualquer futuro político, estaremos trabalhando muito para estarmos juntos, a certeza que tenho é que posso olhar no olho das companheiras e companheiros do PDT, querido Lupi, e dizer: me orgulho como brasileira de que vocês estão aí. Firmes, para o triunfo que mais cedo ou tarde virá’.

O PDT e o PPS estão convocando um seminário nacional ‘da esquerda’ a partir de 19 de abril, como parte de sua estratégia para 2006, e já estão anunciando a presença de Heloísa Helena.

Chamamos os companheiros a romperem as negociações com partidos burgueses, e virem conformar uma frente eleitoral de esquerda, socialista e classista”.

Direção Nacional do PSTU
Março de 2005
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