Campanha pela manutenção dos empregos na GM ganha força

A luta contra as demissões na General Motors (GM) está entrando em seu momento mais delicado. O diretor de Assuntos Institucionais da GM do Brasil, Luiz Moan, disse que vai decidir o futuro dos cerca de 1.500 trabalhadores até o dia 28 de julho. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, os cortes podem chegar a 2.000, já que atingiriam outros setores da fábrica. O sindicato colocou em marcha uma forte campanha em defesa dos empregos. A luta pela manutenção dos postos de trabalho continua. Agora, com mais força que nunca.

Campanha ganha ruas, rádios e TV
Como parte da campanha em defesa do emprego, o sindicato tomou uma série de iniciativas para sensibilizar a população e assim fortalecer a luta pelos postos de trabalho.

A campanha tomou conta das ruas com outdoors espalhados pela cidade. No rádio, várias mensagens foram veiculadas, discutindo os ataques da empresa e a posição do sindicato. Na TV foi ao ar um comunicado no qual o sindicato se posiciona contra qualquer demissão na GM e convoca a população a defender os empregos.

Greve de 24 horas mostra força metalúrgica
No dia 16 de julho, os trabalhadores da GM realizaram uma greve de 24 horas em defesa dos empregos. A greve, que paralisou praticamente toda produção, foi em resposta ao plano de demissões da empresa e pela defesa da manutenção dos postos de trabalho. A atividade foi parte do calendário de lutas do sindicato em defesa dos empregos.

Sindicato cobra medidas concretas do governo
Em reunião no dia 17 com o ministro da Secretaria Geral da República, Gilberto Carvalho, mais uma vez foi cobrado do governo medidas concretas para proteger os empregos dos trabalhadores da GM.

O sindicato e os trabalhadores reivindicam que o governo federal intervenha em favor da manutenção dos postos de trabalho na GM, empresa que tem sido generosamente beneficiada com isenções fiscais e redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Estiveram presentes na reunião o membro da Executiva Nacional da CSP-Conlutas, José Maria de Almeida, o também membro da Executiva da Central e secretário geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o “Mancha”; e o deputado federal Carlinhos Almeida (PT). O Ministro Gilberto Carvalho se comprometeu a levar o caso para a presidenta Dilma.

Em Brasília, solidariedade e protesto
Na última quarta-feira, dia 18, uma delegação de trabalhadores e dirigentes sindicais foi a Brasília para levar solidariedade à luta dos servidores federais em greve. Também foram levadas bandeiras da “Campanha em Defesa dos Empregos na GM”.
Durante a manifestação, o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o “Macapá”, convidou as entidades e trabalhadores presentes a participarem de um ato nacional, na porta da GM, no dia 24 de julho.

“A luta contra as demissões na GM deve ser de todos, independentemente de partido ou central. Vamos chamar toda a sociedade para que empresa e governo sintam-se pressionados a tomar medidas imediatas que resultem na manutenção dos postos de trabalho”, afirma Macapá.

Dia 24, ato nacional em defesa dos empregos
O sindicato e a CSP-Conlutas estão convocando um ato nacional na porta da GM para o dia 24 de julho, às 13 horas. O ato é uma atividade unitária, que pretende reunir todos os sindicatos, partidos e movimentos em defesa dos empregos na GM.

Novas reuniões podem ser decisivas
Estão agendadas duas novas reuniões para o dia 25. A primeira, com o Ministério do Trabalho, GM e o sindicato. A outra, com o Ministério Público do Trabalho.
Essas duas reuniões podem ser decisivas, já que a data máxima para as demissões anunciadas pela GM está se avizinhando.

O sindicato continua defendendo a manutenção dos postos de trabalho e a pauta de reivindicação que apresentou à empresa, na qual propõe soluções viáveis, que podem ser plenamente implementadas pela empresa, garantindo a manutenção dos empregos.

Confiar na força dos trabalhadores
Até o presente momento, nada de concreto foi feito pelos governos no sentido de evitar a demissão dos trabalhadores. O prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), por exemplo, já se posicionou claramente ao lado da empresa e contra os trabalhadores. Hoje, está dedicado ao seu esporte preferido, atacar o sindicato, buscando com isso enfraquecer a luta dos trabalhadores e justificar as demissões, colocando a culpa na entidade.

Apesar da importância das reuniões com o governo federal, também nada de concreto foi garantido. O que significa que os trabalhadores devem confiar apenas em sua mobilização, força e organização. Ou seja, na intensificação da luta.

É preciso que os trabalhadores continuem mobilizados e preparados para responder à altura os ataques da empresa, caso se confirmem as demissões. Se a empresa mantiver seus planos, os trabalhadores não podem descartar nenhuma ação mais contundente e devem paralisar completa e imediatamente a produção, até que a empresa apresente algum acordo que mantenha os empregos.
Post author Felix Mann, de São José dos Campos (SP)
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