Cai o reitor da Fundação Santo André

Movimento de estudantes e professores conquistam uma grande vitória e exige: é necessário maisNo último dia 29 de maio, o Conselho Diretor da Fundação Santo André (FSA), no ABC Paulista, votou, por unanimidade, a destituição do reitor Odair Bermelho. A organização e a mobilização dos estudantes garantiram esta grande vitória. Desde o começo, eles estiveram comprometidos com a defesa da qualidade de ensino e do caráter público da FSA e não confiaram na Prefeitura de Santo André nem no próprio Conselho Diretor. Foi uma noite de comemoração para os cerca de 200 estudantes e professores presentes ao local da reunião.

Breve histórico
Há nove meses, os estudantes e professores da FSA, travavam uma dura batalha contra Bermelho. Desde o dia 13 de setembro de 2007, quando a reitoria foi ocupada pelos estudantes, iniciou-se uma batalha entre o projeto de privatização da reitoria e do governo e a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade.

Na ocasião, os estudantes foram ferozmente reprimidos pela Tropa de Choque da Polícia Militar, a mando de Bermelho. A briga, então, tornou-se pública e ganhou voz nacional. Estudantes e professores começaram uma greve que durou 55 dias.

Em 2008, cursos de licenciatura foram fechados. Uma Escola Livre nasceu fruto da resistência estudantil. Novas denúncias contra o reitor vieram a público e mais uma ocupação da reitoria aconteceu. No dia 29 de maio, a última batalha deu a Odair o mesmo destino de Timothy Mulholland, o ex-reitor da Universidade Nacional de Brasília (UnB), também parte de esquemas de corrupção e derrubado pela força do movimento estudantil.

Mais a conquistar
A queda do reitor conclui um capítulo de defesa da Fundação Santo André. A faculdade, há anos, vinha sendo sugada pelo desvio de dinheiro, cargos de confiança e gastos pessoais absurdos. Além disso, seu caráter público vinha sendo destruído pelo Projeto de Desenvolvimento Institucional (PDI). O PDI levaria à privatização total do Centro Universitário. Sem Bermelho e sua cúmplice ex-reitoria, está colocada a possibilidade de o movimento fazer mais e conquistar a abertura dos cursos da Faculdade de Filosofia e Letras (Fafil), a redução das mensalidades e a derrota do PDI. Essa vitória também fortalece a luta pela federalização da FSA.

Está claro que esta grandiosa vitória na FSA caminha lado a lado com a reorganização dos movimentos sociais que ocorre em todo país. Reorganização esta que nega e se enfrenta com a UNE, a CUT e outras direções tradicionais dos movimentos sociais. Ao passarem para o lado do governo Lula, essas abandonaram a luta da juventude e da classe trabalhadora.

A esperada e significativa queda de Odair Bermelho abre caminho para a necessária luta contra o PDI. Este projeto foi aplicado de forma totalmente antidemocrática e leva a FSA à precarização e à privatização. A vitória conquistada deve ser seguida de mais organização, mobilização e luta estudantil, fazendo avançar as conquistas.

Unir os estudantes de todo o Brasil
A continuidade da luta também passa por unificar todos os estudantes que lutam no país inteiro. A partir da vitoriosa ocupação da USP, das diversas ocupações que se enfrentaram com governo Federal contra a implementação do ReUni, em 2007, e com os estudantes da UnB, que também derrubaram o reitor, o movimento da FSA deve se unir com todos que lutam por uma educação pública, gratuita e de qualidade. Esta unificação se concretizará no Encontro Nacional dos Estudantes, que ocorre em Belo Horizonte, no dia 2 de junho próximo.

O movimento estudantil da FSA tem, ainda, outro grande desafio: lutar e conquistar a real democratização da Faculdade. E isso é possível apenas com um Congresso Estatuinte Paritário, em que o voto de estudantes, professores e funcionários tenham o mesmo peso. Que modifique os estatutos e permita eleições diretas e paritárias, sem a intervenção do prefeito, em todo o Centro Universitário.

  • Pela reabertura dos cursos da Fafil!
  • Redução das mensalidades!
  • Abaixo o PDI!
  • Por um Congresso Estatuinte Paritário!
  • Eleições diretas e paritárias!
  • Federalização já!