Com 300 mil mortes na pandemia (oficialmente), o Brasil vai se transformando num imenso cemitério. São quase 3 mil mortes diárias, mas o número certamente vai aumentar. A maior parte desses registros se refere a óbitos de 30 ou 15 dias atrás. Além disso, o Brasil chegou ao pico mais mortal da pandemia em pleno verão, sendo que o período de maior contágio de doenças respiratórias é o inverno.

O sistema de saúde colapsou. Faltam leitos de UTIs em todo o país. Mas isso é apenas o começo. Vão faltar mais medicamentos, tubos de oxigênio, lugares refrigerados para armazenar corpos e possivelmente haverá um colapso nos cemitérios. Sobrecarregados de corpos, os cemitérios podem desatar outros problemas sanitários, como a contaminação do solo e do lençol freático, alerta o médico cientista Miguel Nicolelis.

Se o sistema de saúde brasileiro colapsar como um todo, as pessoas não vão ter para onde ir, vão começar a morrer nas suas casas, nas ruas, na porta dos hospitais. E aí o Brasil vai ter um colapso funerário, onde você não dá conta dos óbitos do país, não consegue manejar o volume de vítimas. Começa a ter infecções secundárias, contaminação de alimentos e do lençol freático. Você perde o controle do país”, alerta.

Hoje já nos deparamos com a falta de medicamentos que auxiliam a intubação dos pacientes. O resultado será o aumento no número de mortes. O mais absurdo é que mesmo isso poderia ter sido evitado. Mas o Ministério da Saúde cancelou, em agosto de 2020, uma compra internacional de medicamentos para o chamado kit intubação, aponta um ofício do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Para falar bem claro: qualquer pessoa neste país que precisar ser internada em uma UTI, seja por Covid-19, por acidente de carro ou uma perna quebrada, vai morrer pela falta de leitos e insumos.

Por que a vacinação é lenta?

A maioria dos brasileiros percebe que a vacinação está devagar. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, 76% da população afirma que a imunização segue em ritmo mais lento do que deveria. Até o fechamento desta edição, o Brasil vacinou pouco mais de 14 milhões de pessoas, o que representa menos de uma semana da vacinação realizada atualmente nos Estados Unidos. Se tivéssemos vacinas, a campanha de imunização aqui seria mais rápida do que lá. Graças ao SUS, o país tornou-se uma referência mundial no que se refere a vacinação, com capacidade de imunizar até 3 milhões de pessoas por dia.

Mas a vacinação é lenta no Brasil porque Bolsonaro simplesmente se recusou a comprar vacinas. A verdade é que o governo só gastou 9% da verba emergencial liberada para vacinas contra a Covid-19.

Um relatório anual do Departamento de Saúde dos Estados Unidos mostra que o imperialismo pediu no ano passado para o Brasil rejeitar a vacina russa Sputnik V. O Brasil obedeceu cegamente à ordem, tamanho o servilismo alucinado de Bolsonaro ao ex-presidente Donald Trump. Assim, ficamos sem a vacina e sequer recebemos uma única dose das vacinas que sobram nos EUA.

Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, fala em união pra combater o vírus, ao mesmo tempo em que se nega a autorizar a CPI da pandemia. Já Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, engaveta os pedidos de impeachment e autoriza uma comissão para discutir uma lei “antiterrorismo” pra usá-la contra a população, caso ela se revolte como fizeram os paraguaios.

A pressão de distintos setores da burguesia, de empresários a banqueiros, passando pelos governadores e o “centrão” no Congresso, levou Bolsonaro a substituir Pazuello por Marcelo Queiroga no Ministério da Saúde. Mas nada vai mudar, e o próprio Queiroga fala em “continuísmo”. Isso significa a manutenção dessa política genocida que vai levar o país a somar mais de 400 mil mortes até o Dia das Mães. Com o novo fantoche Queiroga, o genocida Bolsonaro nos levará às profundezas do vale da morte.

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Editorial: Genocida

A pandemia no Brasil

“Parece que só no brasil morre gente.”

Frase de Bolsonaro no último dia 22 de março

>> Três a cada quatro mortes no Brasil pela Covid-19 poderiam ter sido evitadas, não fosse o governo federal. *

>> Uma a cada quatro pessoas que morrem da doença no mundo é brasileira.

> > No Brasil, registram-se 11 mortes por milhão de habitantes e 355 casos por milhão.

Fonte: * Dados do epidemiologista Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)

Saiba mais

Cinco motivos para chamar Bolsonaro de genocida

Nenhuma guerra, nenhuma catástrofe ou doença matou tantos brasileiros quanto a Covid-19, chamada de “gripezinha” por Bolsonaro. O seu governo é o principal responsável por essa tragédia.

E agora ele tenta calar, reprimir e prender aqueles que o chamam de genocida.

1) Ignorou vacinas

Em julho de 2020, o governo recusou oferta de compra de 160 milhões de doses da Coronavac. Já em agosto, o governo recusou três ofertas feitas pela Pfizer para a compra de até 70 milhões de doses do imunizante.

Em 10 de setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) convidou o Brasil para coalizão mundial pela vacina. O Brasil só aderiu à iniciativa meses depois; de início ficou de fora da ação mundial e não participou da primeira reunião. Com isso, também não recebeu as primeiras levas das vacinas distribuídas por meio do consórcio internacional.

Em outubro, Bolsonaro desautorizou o então ministro Pazuello, rejeitando a compra de 45 milhões de doses da Coronavac até dezembro de 2020 e outros 15 milhões no primeiro trimestre de 2021.

Em 20 de dezembro, Bolsonaro disse que a pandemia estava chegando ao fim e que “a pressa pela vacina não se justifica”.

No dia 11 de janeiro, em meio ao colapso do sistema de saúde de Manaus, Pazuello ironizou a vacinação ao ser cobrado sobre prazos, dizendo que aconteceria “no dia D, na hora H”.

Bolsonaro mente sobre a quantidade de vacinas no país. Em março, o governo já reduziu a previsão de distribuição quatro vezes. A princípio, seriam 46 milhões de doses até o fim do mês. Baixou para 22 milhões.

— Amanda Audi (@amandafaudi) March 24, 2021

2) Campanha contra vacinação

Bolsonaro também fez inúmeras declarações contra a vacinação. Em entrevista à Band, ele declarou que não tomaria a vacina contra Covid-19. Pouco depois, voltou a dizer que não tomaria vacina e ironizou possíveis efeitos colaterais do imunizante produzido pela Pfizer, dizendo que pessoas poderiam virar “jacaré”.

Bolsonaro também fez campanha contra a vacina chinesa Coronavac pelo Ministério da Saúde. “O povo brasileiro não será cobaia de ninguém”, disse o genocida.

Sabe-se hoje que Trump, enquanto fazia campanha em prol da aglomeração social, havia sido vacinado, conforme revelou um ex-assessor recentemente.

Bolsonaro editou um decreto sobre o seu cartão de vacinação que mantém sigilo por 100 anos. Certamente, faz a mesma coisa que Trump: fala contra a vacina, promove aglomeração, enquanto está vacinado.

3) Campanha da cloroquina

 Em maio de 2020, o Ministério da Saúde, sob o comando de Pazuello, determinou o uso de cloroquina para Covid-19.

Em julho, o exército começou a produzir o medicamento, pagando 167% a mais pelo principal insumo da cloroquina.

Em janeiro de 2021, num ofício encaminhado à Prefeitura de Manaus, o Ministério da Saúde pressionou para o uso de medicamentos sem eficácia, como cloroquina e ivermectina, em meio a crise da saúde e a falta de oxigênio.

Em fevereiro deste ano, a Merck Sharp and Dohme, farmacêutica norte-americana que produz a ivermectina, divulgou um comunicado em que afirma que não há base científica para comprovar a eficácia do medicamento no tratamento da Covid-19.

A OMS já havia divulgando um comunicado dizendo o mesmo em outubro, enquanto Bolsonaro era fotografado oferecendo cloroquina a um avestruz no Palácio Alvorada, também não recomendado pela organização.

4) Vetos ou auxílio emergencial

O governo propôs ao Congresso, em 2020, um auxílio emergencial de R$ 200, mas o Congresso aumentou o valor para R$ 600.

Em maio, Bolsonaro decretou que construção civil, salões de beleza, barbearias, academias e serviços industriais em geral passariam a ser atividades essenciais que não poderiam ser interrompidas na quarentena.

Bolsonaro vetou o auxílio emergencial de R$ 600 a pescadores artesanais, taxistas, motoristas de aplicativo e de transporte escolar, entregadores de aplicativo, profissionais autônomos de educação física, ambulantes, feirantes, garçons, babás, manicures, cabeleireiros e professores contratados que não recebiam salário.

Em janeiro de 2021, terminou o pagamento do auxílio emergencial. O Congresso aprovou um novo, irrisório, a ser pago em abril. O valor médio do auxílio é R$ 250 (38% de uma cesta básica).

5) Campanha pela aglomeração e contra máscara

Em sua militância em prol do vírus, Bolsonaro continua a promover aglomerações e faz discurso contra o lockdown. Seu argumento é que o fechamento vai provocar demissões e desemprego. Mas seu governo não implementa nenhuma medida para assegurar emprego ou mesmo preservar os pequenos negócios da falência, como um auxílio financeiro e isenção de impostos.

Mesmo medidas simples, como o uso de máscara e álcool em gel são combatidas pelo presidente genocida.

Em junho de 2020, Bolsonaro vetou a obrigatoriedade do uso de máscara em estabelecimentos comerciais e industriais, templos religiosos, escolas e demais locais fechados. Vetou multa aos estabelecimentos que não disponibilizam álcool em gel 70% em locais próximos às entradas, elevadores e escadas rolantes. Vetou também a obrigação de os estabelecimentos fornecerem gratuitamente a seus funcionários máscaras de proteção individual.

Programa

Quebrar as patentes para garantir vacinação em massa

Hoje não há vacinas na maior parte do mundo. Mas há exceções, como EUA e Canadá, que têm vacinas mais do que suficientes para toda sua população. O problema é que os grandes monopólios farmacêuticos têm a exclusividade sobre a fórmula, a produção e a comercialização de vacinas. É o que chamamos de patente. Assim, as farmacêuticas aproveitam para ganhar muito dinheiro e impedem a produção em massa das vacinas, e um punhado de empresas farmacêuticas obtêm lucros fabulosos. A patente de qualquer vacina é a condenação de milhares de pessoas à morte.

É preciso quebrar as patentes e garantir a produção massiva de vacinas. Estrutura para isso tem. Basta ver o Instituto Butantan e a Fiocruz. Além disso, é possível usar fábricas de vacinas de gado para produção de vacinas contra a Covid-19. São mais de 30 no Brasil.

Sem a exclusividade das farmacêuticas, o Brasil poderá usar o Butantan e a Fiocruz para isso. Junto com a capacidade do SUS de vacinar 2 milhões de pessoas por dia, o Brasil poderia erradicar o vírus em quatro meses.

“Mas quebrar patentes é muito radical e vai trazer retaliações”, diriam alguns. Bobagem! Os governos anteriores do PSDB e do PT já fizeram isso no passado. Quebraram as patentes de medicamentos para o HIV, o que permitiu a sua produção aqui no país e o seu barateamento.

Bolsonaro é contra a quebra de patentes porque é um capacho do imperialismo, por isso fez o Brasil votar contra a medida em reuniões da Organização Mundial do Comércio, juntamente com os EUA e a União Europeia.

Lockdown é uma emergência

Quem promove desemprego é a pandemia e Bolsonaro

No Brasil, nunca houve lockdown de verdade. Nunca se pararam as grandes fábricas, as grandes lojas, com estabilidade no emprego e manutenção dos salários. Por aqui os trabalhadores são empurrados para o abate.

O resultado é o descontrole da pandemia. A contaminação dos trabalhadores nas montadoras da região do ABC é de 19%, ou seja, três vezes mais do que a média nacional. Só na Volkswagen são 1.560 infectados (18,3% do total), com cincos mortos. A média de afastados por Covid-19 é de dez trabalhadores por dia. O número de internações na região dobrou em relação a dezembro: eram 897 e hoje são mais de 1.800 pessoas.

Em vários países, como Alemanha e Nova Zelândia, houve lockdown total, com garantia de auxílio financeiro para que pequenos negócios não quebrassem. Na China, por exemplo, o governo pagou um auxílio emergencial de R$ 3 mil e garantiu redução de impostos aos pequenos negócios. O resultado é que por lá o povo pode sair às ruas sem a obrigação de usar máscaras, o comércio já está reaberto e os shows reúnem uma multidão. Na Nova Zelândia, Austrália, entre outros países, também.

Bolsonaro diz que lockdown causaria o colapso da economia, levando empresas e comércio à bancarrota. Mas é uma óbvia tentativa de se safar da responsabilidade por garantir emprego e não deixar pequenos comércios irem à falência. Bolsonaro não quer gastar com algum auxílio emergencial digno nem oferecer ajuda aos pequenos comerciantes.

O descontrole total da pandemia, a circulação irrestrita do vírus que provoca novas mutações, mais infecciosas e mais mortais, produziu o colapso atual. Assim, não há outra saída emergencial a não ser um lockdown nacional por, no mínimo, 30 dias para diminuir a circulação do vírus. Também é preciso realizar testes na população para controlar a propagação da doença. Até hoje milhares de testes de Covid-19 estão apodrecendo em galpões do Ministério da Saúde.

Bolsonaro nos jogou no colapso. Claro, também teve ajuda dos governadores, que decretaram medidas absolutamente insuficientes para combater a pandemia. O descontrole da pandemia joga o PIB lá para baixo e vai aumentar o desemprego e falências. Neste cenário, o Brasil poderá demorar anos para voltar ao normal e vai afundar mais na crise econômica; poderá se converter numa fábrica de vírus que escapem das vacinas e representem uma ameaça global.

Programa

Vacina para todos já! Fora Bolsonaro e Mourão!

Bolsonaro é o maior militante a favor do vírus. Seu governo de morte é um obstáculo para a vacinação. Só a luta e a mobilização botarão abaixo esse governo miliciano. Tirá-lo de lá é condição fundamental para enfrentar a pandemia e salvar vidas.

Programa

Lockdown de 30 dias e testagem em massa da população!

Para garantir uma quarentena para valer, é preciso auxílio emergencial de R$ 600 no mínimo até o fim da pandemia para os trabalhadores e estabilidade no emprego, licença remunerada para os trabalhadores da indústria e do comércio etc.. Para os pequenos comerciantes ameaçados de falência, também é preciso um auxílio emergencial e suspensão de impostos e taxas.

Programa

Greve sanitária, em defesa da vida

Os trabalhadores não são bucha de canhão. Não aceitam cavar sua própria sepultura enquanto o país mergulha no colapso. Diante dessa situação, é necessário discutir, preparar e organizar uma greve sanitária nas fábricas e nas grandes lojas de varejo, possibilitando aos trabalhadores ficarem em casa e receberem seus salários sem redução. É preciso também unificar essas paralisações com as lutas pelo fora Bolsonaro e Mourão. Não é tarefa do sindicato propor redução de salários, ainda mais no momento em que o desemprego está dentro da casa dos trabalhadores, todas as famílias têm pelo menos um parente nessa situação.

Programa

Suspender a dívida pública e taxar os bilionários

Metade do orçamento do governo vai para pagar os juros da dívida, remunerando meia dúzia de banqueiros. É preciso suspender seu pagamento e taxar os ricos que ficaram ainda mais ricos na pandemia.