PSTU-Belém

O descaso do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), com sete anos de mandato nas costas, e as fortes chuvas do mês de março, alagaram a cidade e levou o caos para toda a região metropolitana. Para se eximir da responsabilidade, e com muita cara de pau, o prefeito recorreu à imprensa e tentou colocar a culpa na natureza e nos moradores. Sendo conhecido como prefeito fantasma, que ninguém via em lugar algum, o mesmo afirmou ter cumprido suas promessas de campanha, e por isso virou piada nas redes sociais.

Não é de hoje que Belém está uma desordem, sem saneamento e drenagem nos pontos críticos que já alagam normalmente, ruas com buracos por todos os lados, casas em palafitas sem condições de moradia, isso sem falar da situação de saúde e educação. Por isso, não foram nos dois dias que a cidade alagou, mas sim todos os dias de chuva a cidade alaga.

As chuvas intensas só fizeram agravar a situação e a cidade literalmente foi para o fundo. As casas foram inundadas pela água e muitas famílias perderam móveis, eletrodomésticos e alguns nem tem onde dormir, sem contar que ficaram ainda mais vulneráveis às doenças. E em meio aos alagamentos apareceram animais como cobras, poraquê, tatu e jacarés, principalmente nos pontos próximos aos canais e de mata, num cenário desolador.

O trânsito parou, as ruas estão intrafegáveis e o risco de cair em bueiros abertos e buracos é grande. Alguns moradores colocavam paus para tentar sinalizar onde estavam os buracos. As obras malfeitas desmoronaram e mangueiras centenárias sem manutenção caíram, enfim um caos total. Nesta época de chuvas as doenças que já são comuns, principalmente para as crianças, pioraram com o contato da água suja do transbordamento dos canais, etc.

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), publicado em 2019, aponta Belém como a 4ª pior capital em saneamento básico do Brasil. Em torno de 13% da população contam com coleta de esgoto, sendo a 3ª pior capital. E menos de 1% da população tem esgoto tratado um cenário de precariedade alarmante. Diante desses dados, dizer que a culpa é da população é um desrespeito com quem está sofrendo com os alagamentos.

Belém que era a “Veneza da Amazônia” teve seus córregos assoreados e seus canais transformados em esgoto a céu aberto, fruto das políticas desastrosas dos sucessivos governos. Culpar a natureza, os moradores e não os governos pela destruição do espaço geoambiental é de um cinismo sem limites. O planejamento político dos governos jamais levou a sério um plano que considerasse a macro bacia da cidade de Belém, de forma a garantir uma conexão entre natureza e sociedade.

O prefeito criou um gabinete de crise e situação de emergência que é uma enrolação e serve só para informar os pontos alagados. Exigimos que a prefeitura indenize as famílias que tiveram seus bens perdidos, móveis e eletrodomésticos, com isenção de IPTU para estas áreas.

Para evitar as sucessivas repetições desta triste realidade é necessário criar um plano de obras públicas que considere o geosistema com moradias e saneamento básico adequado à população, principalmente aquelas que estão em áreas mais vulneráveis, e garanta melhores condições de vida e trabalho para todos.