Bancários fazem greve por reajuste

Burocracia cutista impede avanço da mobilização para não prejudicar LulaBancários de todo o país estão se mobilizando por reajuste e contra o arrocho. Assembléias em diversos estados realizadas no dia 25 definiram greve e paralisação de 24 horas. Apesar de uma previsão de 40% de aumento em seus lucros este ano, os banqueiros, depois de quase dois meses de negociação, ainda não propuseram nenhum índice de reajuste aos trabalhadores. Os bancários dos bancos privados sofrem com um arrocho de 30%. Nos bancos públicos a situação é ainda pior, com a defasagem atingindo 89% no Banco do Brasil e 101% na Caixa Econômica Federal.

Mesmo com essa situação, as direções dos sindicatos ligados à CUT empurram a campanha salarial com a barriga, impedindo uma forte mobilização que prejudique a reeleição de Lula. Em São Paulo, por exemplo, a Oposição Bancária, ligada à Conlutas, teve que recolher cerca de mil assinaturas num abaixo-assinado exigindo uma assembléia da categoria.

`DirceuNa assembléia, realizada na noite do dia 25, a direção do sindicato impediu a aprovação de uma greve por tempo indeterminado. Numa votação bastante dividida, venceu a proposta de paralisação por 24 horas. No Rio de Janeiro, o sindicato também conseguiu evitar a greve proposta pela oposição. Por uma pequena diferença (55% a 45%), ganhou a proposta de paralisação por 24 horas no dia 26. No dia 27 será realizada nova assembléia. Em São Paulo, o sindicato nem ao menos marcou a data de uma nova assembléia.

Em Florianópolis, em Natal e na Bahia, os bancários aprovaram greve por tempo indeterminado, com assembléia no dia 27. O dia marca a nova rodada de negociação entre os bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos).

O Movimento Nacional de Oposição Bancária luta agora pela realização de assembléias para que os bancários possam discutir os rumos da campanha salarial. “A campanha ainda não terminou. Apesar do sindicato, ainda está colocada a possibilidade de greve. Vamos exigir agora a realização de assembléias para impulsionar uma forte greve, com comandos de base para impor a negociação”, afirma Dirceu Travesso, da oposição e da direção nacional do PSTU.

Mais um escândalo da turma do Marcolino
Os sindicatos cutistas tentam deter a greve no exato momento em que explode mais uma grave crise política com ninguém menos que Ricardo Berzoini, ex-dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, da turma de Luiz Cláudio Marcolino, o atual presidente da entidade.

Depois de Luiz Gushiken e Sérgio Rosa, chegou a vez do atual presidente nacional do PT, que teria arquitetado a compra ilegal de um dossiê com denúncias do envolvimento do PSDB com a máfia dos sanguessugas.

Outros ex-sindicalistas da CUT, como Jorge Lorenzetti e Oswaldo Bargas, hoje altos funcionários do partido, também estão envolvidos. Bargas foi secretário do Ministério do Trabalho e coordenou a proposta de reforma sindical que o governo tenta aprovar no Congresso.

Não é por acaso que boa parte dos envolvidos eram sindicalistas ligados à CUT e especialmente ao Sindicato dos Bancários. Durante anos, o PT, através da direção dessas entidades, foi se adaptando à estrutura do Estado, beneficiando-se de recursos públicos e de repasses do governo através de ONGs e parcerias. Para justificar essa política, tais dirigentes lançavam mão do chamado “sindicalismo cidadão”.

Para se ter uma idéia, Jorge Lorenzetti e Bargas são sócios de uma ONG em São Paulo chamada RCT (Rede de Comunicação dos Trabalhadores), da qual também fazem parte Mercadante, Berzoini, o atual ministro do Trabalho, Luiz Marinho, além do próprio presidente Lula. Lorenzetti também é fundador da ONG Unitrabalho, que recebeu mais de R$ 18 milhões de recursos públicos durante o governo Lula.

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