Ato unificado em São Paulo denuncia violência contra a mulher

Protesto denunciou a violência machista
Raíza Rocha

Retratos de mulheres assassinadas, vítimas de violência doméstica, ocupavam as escadas do Pátio do Colégio, região central de São Paulo. Uma pequena simbologia da face mais cruel do machismo que mata a cada duas horas uma mulher no nosso país. As imagens foram parte do Ato Unificado contra a violência à Mulher em São Paulo que reuniu diversas organizações feministas, sindicatos e partidos políticos, como o Movimento Mulheres em Luta (filiado à CSP Conlutas), a Marcha Mundial de Mulheres, o sindicato dos Metroviários de São Paulo, o PSTU e PSOL.

A manifestação ocorreu neste dia 23 e fez parte das atividades do 25 de novembro, dia Latino Americano e Caribenho de Luta contra a violência à mulher. “Este ato unitário tem a importância de trazer para as ruas o drama que milhares de mulheres vivem no âmbito doméstico: a violência física, sexual e psicológica de companheiros, ex. companheiros e namorados” , afirmou Marisa do Metrô, da secretaria de Mulheres do sindicato dos Metroviários de São Paulo. Marisa destacou ainda o assédio sexual que as mulheres sofrem cotidianamente nos transportes públicos. “No metrô de São Paulo, a cada três dias uma mulher é assediada. Não podemos admitir esta situação.”

Durante o ato, Gabriela Ariane, do Movimento Mulheres em Luta, denunciou que a impunidade e a falta de políticas públicas para efetivar a Lei Maria da Penha ainda são os principais aliados do crescimento da violência contra a mulher. No país que é governado pela primeira presidenta mulher, a conquista da Lei Maria da Penha sofre retrocessos significativos, como o corte imposto pelo Governo de Dilma de R$23,4 milhões no orçamento de 2012 da Secretaria de Políticas para as Mulheres. “Agora, recentemente, uma proposta de mudança no código penal busca minimizar a punição aos agressores” , argumenta Gabriela.

Camila Lisboa, da secretaria de mulheres do PSTU, resgatou a violência institucional que as mulheres trabalhadoras sofrem dos patrões e governos, através da superexploração da mão de obra feminina. “Uma violência relacionada com o sistema que a gente vive. Um sistema que superexplora a nossa mão de obra simplesmente pelo fato de sermos mulheres” . Durante a manifestação, Camila lembrou ainda as mulheres da palestina que são vítimas do Estado opressor de Israel e as mulheres trabalhadoras da Europa que, juntas aos homens trabalhadores, se organizam e resistem aos planos de austeridade impostos pela troika. “Hoje, Israel está realizando um grande massacre em Gaza que tem um foco, as mulheres palestinas que, orgulhosamente, se organizam e resistem a este massacre. Por fim, também queremos saudar as mulheres trabalhadoras e jovens da Europa que realizaram uma grande greve geral no continente mostrando que os trabalhadores e trabalhadoras não podem pagar pela crise produzida pelo capitalismo” . Para Camila, devemos seguir estes exemplos e transformar toda a dor de quem sofre com a violência sexual, psicológica ou física em indignação e luta.

O ato foi em passeata até a Prefeitura de São Paulo. Durante o percurso, os manifestantes pararam na Secretaria de Assistência Social da prefeitura de São Paulo para protocolar uma denúncia sobre o descaso desta secretaria com as casas-abrigo que recebem as vítimas da violência doméstica.