Ato nesta quarta lança campanha nacional pela reestatização da Embraer

Protesto em São José dos Campos reunirá centenas de ativistas e trabalhadores demitidosAcontece nesta quarta-feira, dia 11, a partir das 16h, um grande ato na Câmara Municipal de São José dos Campos, pela readmissão dos trabalhadores demitidos da Embraer.

O ato também vai marcar o início de uma grande campanha, liderada pelo Sindicato e pela Conlutas, pela reestatização da Embraer, como forma de preservar os empregos e recuperar o patrimônio nacional que é a empresa.

Esta é mais uma etapa da escalada de mobilizações que foi preparada pelo Sindicato contra as 4.270 demissões feitas pela Embraer no último dia 19 de fevereiro.

Todos os trabalhadores demitidos estão sendo convocados a participar, além de Sindicatos de outras categorias, autoridades, vereadores e centrais sindicais. A CTB e CGTB já confirmaram presença.

A importância da reestatização
A Embraer é estratégica para a soberania do país, seja pelo seu papel no desenvolvimento nacional como empresa militar. É também a terceira maior fabricante de aeronaves comerciais no mundo. A demissão em massa e os desmandos que vêm sendo cometidos pela direção privada da empresa mostram que é preciso colocar em debate o controle estatal da Embraer.

Os mais de 8 bilhões de dólares repassados pelo BNDES representam quase três vezes a soma de todos os lucros da empresa desde 98 (R$ 7,6 bilhões), o que prova que a Embraer depende do dinheiro público para sobreviver.

É inadmissível que além disso, acionistas, em sua maioria do capital internacional, estejam dilapidando um patrimônio nacional. No ano passado, a direção da Embraer especulou no mercado financeiro com os chamados “derivativos” e teve perdas de R$ 177 milhões no terceiro trimestre. Agora, para cobrir esse rombo e manter a alta lucratividade dos acionistas intocada, a empresa demitiu mais de 4.200 trabalhadores.

“A Embraer tem importância estratégica para o Brasil. Não pode ficar nas mãos do capital estrangeiro e nem em mãos de “investidores” que não se preocupam nem com a tecnologia nacional, nem com os trabalhadores e colocam em risco uma empresa dessa importância”, avalia o presidente do Sindicato, Adilson dos Santos , o Índio.

“Se a iniciativa privada é incapaz de manter o patrimônio nacional que é a Embraer, deve sair de cena e deixar o controle da empresa para o Estado e seus funcionários”, concluiu Índio.

A campanha que será encaminhada pelo Sindicato dos Metalúrgicos e pela CONLUTAS vai exigir que o presidente Lula reestatize a empresa, readmita os trabalhadores demitidos, reduza a jornada sem redução de salários e faça um plano de recuperação da Embraer a serviço do Brasil e sob controle dos trabalhadores.

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