Ato encerra no Rio denunciando a retirada de direitos e a repressão

Encerrou na Cinelândia, por volta das 16h, o Ato Nacional de Luta, que aconteceu junto à abertura oficial dos jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro. Os manifestantes saíram em passeata da frente da Prefeitura.

Durante a caminhada, os ativistas gritavam palavras-de-ordem contra a retirada de direitos, contra a corrupção e contra a violência. Entidades e organizações também discursaram no carro de som.

A retirada de direitos pelas reformas neoliberais do governo Lula foi duramente atacada. “A política econômica deste governo tem privilegiado os banqueiros e as reformas que retiram direitos. Temos o desafio de construir as lutas, pois só com luta unitária conseguiremos as transformações”, disse Lívia, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Já Vera, do Sindicato dos Profissionais de Educação (Sepe/RJ), ressaltou a importância de unir forças. Para ela, o ato foi “um exemplo da unidade que precisamos para derrotar este projeto que coloca em prática o PAC, o fim do direito de greve e a transposição do rio São Francisco”.

Representando a Confederação Nacional das Entidades dos Servidores Federais (Cnesf), que encontram-se em greve, Paulo Barela denunciou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula, que significa um ataque ao conjunto das conquistas dos trabalhadores. “Serão mais dez anos de arrocho salarial e ainda querem acabar com o direito de greve. Além disso, o PAC significa também a estagnação do serviço público”, afirmou.

Repressão ao movimento, impunidade aos corruptos
O ato não deixou de lembrar a criminalização dos movimentos sociais. O governo tem se utilizado da repressão para impedir que os trabalhadores se manifestem contra a retirada de direitos.

Militantes do MST carregavam cruzes em referência aos ativistas que são mortos diariamente na luta. Lívia disse que o ato simbólico era um “protesto pelos trabalhadores do campo e da cidade que estão sendo mortos pela repressão”. “Para nós, aos mortos, nenhum minuto de silêncio, mas uma vida de lutas”, completou.

O estudante Leandro Soto, da Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes (Conlute), lembrou aos manifestantes que “enquanto a corrupção rola solta no Planalto e no Congresso, Lula realiza reformas que retiram direitos e criminaliza os movimentos sociais e todos os que lutam contra o projeto neoliberal”.

Cyro Garcia, dirigente do PSTU, desafiou o governo: “queria ver esta mesma truculência contra Renan e os corruptos”. “Para o trabalhador negro e pobre, é pena de morte institucionalizada. Para os corruptos em Brasília, é impunidade”, concluiu.

Ato recebeu solidariedade do Haiti
Minutos antes da saída da passeata, Cyro Garcia, dirigente do PSTU, abriu uma bandeira do Haiti em cima do carro de som. Neste momento, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho, um dos coordenadores da Caravana ao Haiti, leu uma carta enviada pelo grupo Batay Ouvriye, em que a organização haitiana repudia a ação policial nas favelas do Rio.

Soto, que também fez parte da Caravana ao Haiti, comparou a repressão daquele país com o Brasil. “Enquanto o governo Lula oprime o povo haitiano, Sérgio Cabral promove o massacre das comunidades pobres aqui”, disse.

Protesto foi mais um passo na luta contra as reformas
A presença de distintas organizações e entidades no protesto desta sexta-feira confirma a continuação da unidade que vem sendo construída para lutar contra os ataques do governo Lula aos trabalhadores. Segundo as falas dos militantes, este foi mais um importante passo de uma luta que não encerra.

O movimento demonstrou a disposição em continuar mobilizado até que sejam derrotados todos os ataques. “Seguiremos com as lutas para enfrentar o governo Lula e todos os seus representantes, como César Maia e Sérgio Cabral aqui no Rio”, disse Barela.

AS PALAVRAS-DE-ORDEM MAIS CANTADAS:
“Se não é hoje, é amanhã, mas nós queremos a cabeça do Renan!”

“É ou não é piada de salão? Tem dinheiro para o Pan, mas não tem pra educação!”

“Contra o governo neoliberal, unir Conlutas e Intersindical!”

“Chega de morte, de ‘caveirão´, queremos verba pra saúde e educação!”

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