Ato da Conlutas reúne 2.500 pessoas em São Paulo

Passeata desce a Consolação
Cromafoto

Protesto contra o governo e o Congresso corruptos foi o segundo nos estados após a marcha em Brasília“É contra ou a favor do Lula?”, perguntou um trabalhador que passava em frente ao Masp, na Avenida Paulista, nesta quinta-feira. “Ah, ainda bem”, respondeu ao ser informado que o protesto era contra o governo e o Congresso. Naquele momento, por volta das 15h, mais de mil pessoas já estavam reunidas, para o ato da Conlutas. Cerca de uma hora depois, a marcha, com o dobro de pessoas, partiu pela avenida, em direção à Praça Ramos, no Centro.

“PT pagou com mensalão
a esse bando de ladrão”

Depois de quase uma semana de chuva e frio intensos na capital paulista, o clima deu uma trégua para a marcha. Funcionários públicos, bancários, trabalhadores dos Correios em greve, estudantes, metroviários e trabalhadores de outras categorias participaram ativamente da marcha, carregando as suas reivindicações e protestando contra o governo e sua política econômica neoliberal. Também participaram movimentos sociais, como o MUST (Movimento Urbano dos Sem-Teto), de São José dos Campos (SP) e o MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade).

O ato foi bem diferente das duas últimas manifestações na Grande São Paulo, uma organizada por CUT e UNE a favor do governo e outra pela Força Sindical e partidos de direita. Ao contrário de burocratas e políticos picaretas, a marcha da Conlutas teve a participação massiva de trabalhadores, e foi numericamente superior. Estudantes universitários que, na noite anterior, enfrentaram a bárbara repressão da polícia do governador Geraldo Alckmin, denunciavam Lula e a política neoliberal do PSDB no estado. “É Lula lá, Geraldo aqui. E a nossa verba vai pro FMI”, cantavam.

“Esse Congresso do mensalão
Não vai prender nenhum ladrão”

Não eram raras as demonstrações de apoio e de simpatia da população. Alguns chegaram a aderir à marcha. Próximo ao local de encerramento, aplausos. Do alto de um dos prédios próximos ao famoso Edifício Copan, o morador erguia um cartaz que expressa a vontade do povo: “Fora Lula!”.

Chegando na Praça Ramos, os milhares de ativistas se concentraram em frente à escadaria do Teatro Municipal. Luiz Carlos Prates, o Mancha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, explicitou o caráter e a composição da manifestação: “Tivemos no último período dois atos: um ato convocado pela UNE e pela CUT para defender o governo. Depois, uma manifestação organizada pela Força com o apoio do PFL e PSDB. Mas eles só tinham políticos, não tinha povo, não tinha sindicalista, não tinha trabalhador. Neste ato estão presentes os trabalhadores em luta, como os funcionários dos Correios, os metalúrgicos, os servidores. Estamos construindo uma terceira via, a via dos trabalhadores”, concluiu Mancha.

“Só o povo na rua pode exigir punição para os corruptos e corruptores”, afirmou Luiz Carlos Barroso, do MTL. Nos discursos, houve polêmica entre as saídas para a crise. Enquanto o P-SOL chamava o plebiscito revogatório para decidir se Lula sai ou não, o PSTU colocava como palavra de ordem o Fora Todos! e a necessidade de se construir uma alternativa dos trabalhadores através da mobilização.

Dirceu Travesso, dirigente da Oposição Bancária, falou em nome do PSTU e enfatizou a necessidade de a esquerda apontar uma saída por fora do regime corrupto. Rebatendo a crítica que o Fora Todos! não seria possível num momento em que não há grandes ascensos, Travesso afirmou ser necessário disputar a consciência das massas. “A questão da revolução não está colocada para amanhã às seis horas da manhã, mas ela se constrói a cada passo que damos, a cada greve que impulsionamos”, disse.

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