As lutas começam a surgir

A crise econômica internacional nem chegou ao país ainda, mas a vida já está piorando.

O feijão com arroz é o prato tradicional do brasileiro. Uma parte importante dos trabalhadores está colocando cada vez mais “água no feijão” para seguir comendo seu prato predileto, que aumentou mais de duzentos por cento em um ano. Outros comem arroz com arroz, ou nem isso.

Esta triste realidade foi vivida pelos mexicanos no ano passado quando não puderam comer tortillas, seu prato tradicional. Agora está atingindo o arroz dos asiáticos, os pratos básicos no Haiti e na África, espalhando crises sociais e políticas.

As grandes multinacionais controlam os campos brasileiros e, em todo o mundo, decidem o que plantar e quanto cobrar pelos alimentos. A fome do povo é menos importante para as grandes empresas do que seus lucros.

Os salários, por outro lado, seguem arrochados. No interior das empresas, o ritmo de trabalho é brutal. As grandes empresas não se preocupam com a saúde dos trabalhadores, mas em ganhar mais dinheiro.

Os trabalhadores devem tirar suas conclusões
Como pode um país com tantas terras deixar um povo passar fome? Isso não tem a ver com o governo? A quem serve este governo: às grandes empresas do agronegócio ou ao trabalhador que não consegue nem mais comer feijão? Lula não governa para os trabalhadores e sim para as grandes empresas da cidade e do campo, que estão tendo lucros recordes.

Como pode uma das grandes cidades do país, como o Rio de Janeiro, sofrer uma epidemia de dengue como a atual? Isso é conseqüência direta do corte nas verbas de combate à dengue, que teve seus recursos desviados para pagar a dívida interna aos banqueiros. Lula governa para os banqueiros e não para os que sofrem nas filas dos hospitais.

E vai piorar…
Isso está acontecendo ainda na fase de crescimento da economia. E vem aí uma nova crise econômica, que já atingiu o centro da economia mundial, os Estados Unidos. Vai chegar em breve ao Brasil, com suas inevitáveis conseqüências de desemprego e miséria.

As grandes empresas não dividem os lucros no período de crescimento, mas vão fazer os trabalhadores pagarem os prejuízos da crise com seus empregos e salários.

O povo começa a sentir que algo vai mal ao ver o preço dos alimentos nos supermercados e nas feiras. Mas a maioria dos trabalhadores nem imagina o que está por vir. Vão ocorrer ataques muito mais duros das empresas e do governo contra os direitos trabalhistas como a aposentadoria.

Estão chegando as lutas
Existem sinais de que a insatisfação está crescendo, embora ainda não apareça nas pesquisas. Uma forte greve nacional dos trabalhadores dos Correios obrigou o governo a recuar do não-pagamento do acordo assinado em novembro do ano passado.

No dia 1º de abril, a Conlutas junto com outras entidades, realizou um dia de lutas contra as mentiras do governo. Houve protestos contra a redução dos salários na GM e a transposição do rio São Francisco em todo o país. Houve mobilizações em fábricas, como em São José dos Campos e em canteiros de obras em Fortaleza. Atos e passeatas em várias capitais do país. Bloqueio de estradas nas margens do São Francisco e fechamento da ponte na BR 101, que liga Sergipe e Alagoas. Operários, estudantes, funcionários públicos, dirigentes sindicais, setores da igreja, como o bispo Dom Cappio, representantes do PSOL e do PSTU e independentes estiveram unidos na luta contra as mentiras do governo.

Os estudantes voltaram a utilizar a ocupação das reitorias como método de luta radicalizado, como já tinham feito no ano passado, a partir da ocupação da USP. Na UNB e na UFMG, ocuparam as reitorias e enfrentaram a repressão da PM e da segurança das universidades.

As lutas começam a aparecer, ainda em seus começos. É hora de dar apoio a todas e a cada uma delas. Uma vitória impulsiona outra luta. Uma derrota desanima a todos. Não podemos confiar na CUT e na UNE que já se mostraram aliadas dos patrões e do governo. A Conlutas e a Conlute estão na linha de frente do apoio a todas as mobilizações dos trabalhadores e estudantes.

A Conlutas nasceu em 2006, como alternativa de direção para as lutas. Agora em julho, vai realizar seu primeiro congresso em Betim. Vamos unir todas as lutas. Vamos construir a Conlutas.

Post author Editorial do Opinião Socialista nº 334
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