As bases militares

Bush e o imperialismo sabem que a luta dos povos latino-americanos rompeu, muitas vezes, os diques de contenção, derrubou governos e que, seguramente, crescerá no futuro. Por isso, sua primeira resposta foi fazer com que os governos locais aumentassem a repressão institucional das lutas e a criminalização dos protestos sociais. Foi assim em 2001, com Mahuad no Equador e De la Rúa na Argentina, e em 2003, com Lozada na Bolívia. Por isso, na Argentina e na Bolívia tantos morreram.

Mas, essa política imperialista está sendo, até agora, derrotada pela luta das massas latino-americanas. Longe de obter o fortalecimento das instituições e governos, as massas seguiram derrubando uma lista cada vez maior de presidentes ou derrotando golpes, como na Venezuela em 2002.

Enquanto manobram em meio às lutas populares, Bush e o imperialismo se preparam para enfrentamentos mais duros. Uma parte desse projeto é a instalação de bases militares americanas em vários países e a realização de exercícios militares com tropas latino-americanas. Algumas dessas bases são Três Esquinas, Larandia e Leguizamo (Colômbia), Manta (Equador), Iquitos e Nanay (Peru), Soto Cano (Honduras), Comolapa (El Salvador), Canal de Panamá, Vieques (Puerto Rico), Reina Beatriz (Aruba), Guantánamo (Cuba) e a que o imperialismo britânico mantém nas Malvinas.

A última “pérola” desse colar militar é a base de Mariscal Estigarribia, um pequeno povoado de mil habitantes no Chaco paraguaio, perto da fronteira com a Bolívia. A base foi construída há vários anos, com infra-estrutura para 16 mil militares e um aeroporto com condições de operação de aeronaves que podem transportar grandes contingentes de tropas e material bélico.

Segundo várias agências de imprensa, a base já estava funcionando de modo “semiclandestino” com 500 marines americanos. A novidade é que o Congresso Nacional aprovou este ano a Resolução 503, que autoriza o ingresso, permanência e livre trânsito de tropas americanas em território paraguaio, com “total imunidade” dentro do país. Por sua capacidade, essa base seria o mais importante enclave militar americano no Cone Sul, região que foi um dos epicentros dos processos revolucionários do continente e na qual, até agora, o imperialismo não contava com bases próprias. Temos que lutar para impedir isso!

Nossas propostas
A LIT-QI chama a mais ampla e unitária mobilização no dia 4 de novembro em Mar del Plata contra a presença de Bush. Um antecedente foi a marcha de 30 mil pessoas em outubro, nessa mesma cidade, durante o Encontro Nacional de Mulheres, que tinha como um de seus lemas o repúdio à visita do presidente americano. Mais do que nunca, gritemos Fora Bush da América Latina!

Chamamos também a continuar a luta contra o saque imperialista e as sua ferramentas econômicas e legais. Não ao pagamento da dívida externa! Ruptura imediata com o FMI! Não à Alca e aos TLCs! Nacionalização sem indenização dos hidrocarbonetos!
É imprescindível lutar também contra o dispositivo militar que o imperialismo e os governos nacionais estão montando para reprimir os povos latino-americanos. Fora as bases militares americanas da América Latina! Fora as tropas latino-americanas do Haiti! Não aos exercícios militares conjuntos!

Mas o imperialismo não poderia dominar o continente sem a ajuda dos seus “vassalos” como Uribe, Lagos, Lula, Kirchner etc, que asseguram esse domínio. Não aos governos pró-imperialistas! Lutemos contra sua política de saque e entrega!

A luta de fundo deve ser pela expulsão definitiva do imperialismo do continente e pela construção de novos estados a serviço dos trabalhadores e povos. Pela segunda e definitiva independência! Por uma federação latino-americana de repúblicas socialistas!
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