Apesar do imobilismo da CUT, bancários realizam paralisações

No último dia 20, bancários dos mais diferentes locais do país se mobilizaram para pressionar os banqueiros e o governo a negociarem durante a data-base da categoria, que iniciou no mês de setembro. Atos públicos, passeatas, protestos e paralisações parciais deram o tom das lutas que não contaram com nenhum apoio da falida CUT.

Na contramão da história, a Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), orgânica à CUT, cassou a participação dos sindicatos da oposição nos fóruns da categoria, expulsou seus representantes do Comando Nacional e construiu uma pauta rebaixada, que reivindica 10,3% de reajuste aos banqueiros, ignorando por completo as perdas da categoria, que variam de 30% a 100%.

Ainda assim, os trabalhadores reagem. Em Natal, o Sindicato dos Bancários – que apóia a Conlutas – realizou paralisações parciais nas maiores unidades da capital potiguar. As agências Centro/Banco do Brasil, Potiguar/CEF e Rio Branco/Itaú ficaram fechadas por uma hora e só abriram às 11 da manhã.

“A categoria está repudiando os altíssimos lucros dos banqueiros, em detrimento da exploração da nossa força de trabalho. Isto é uma vitória dos trabalhadores, que estão mostrando sua força mesmo com as traições da CUT, que tenta o tempo inteiro enterrar o movimento”, enfatizou Liceu Carvalho, coordenador-geral do sindicato.

Como se tudo isso não bastasse, na última negociação com os banqueiros, a Contraf divulgou que “arrancou” um índice de 4,82%. Acontece que, por força da pressão da base, faltou coragem para defender a aceitação da proposta, e por isso, lançou mão de uma estratégia grotesca para desmontar o movimento: suspendeu a plenária nacional que se realizaria no dia 25 e que deliberaria os rumos de uma greve nacional dos bancários.

“Mesmo diante das manobras da CUT, os trabalhadores estão demonstrando que há disposição para a luta. A paralisação de hoje foi uma prova cabal disto. A base atropelará as direções pelegas mais uma vez, assim como foi nos últimos três anos”, concluiu Liceu.
Post author Juary Chagas, de Natal (RN)
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